{"id":12255,"date":"2022-09-01T08:00:00","date_gmt":"2022-09-01T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2022\/09\/01\/economia-do-cuidado-a-desvalorizacao-das-atividades-domesticas-nao-remuneradas\/"},"modified":"2026-04-01T11:31:46","modified_gmt":"2026-04-01T14:31:46","slug":"economia-do-cuidado-a-desvalorizacao-das-atividades-domesticas-nao-remuneradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2022\/09\/01\/economia-do-cuidado-a-desvalorizacao-das-atividades-domesticas-nao-remuneradas\/","title":{"rendered":"Economia do Cuidado: a desvaloriza\u00e7\u00e3o das atividades desenvolvidas predominantemente por mulheres"},"content":{"rendered":"<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">\n<p>A Professora de Ci\u00eancias Sociais, Hist\u00f3ria, Geografia e Educa\u00e7\u00e3o do Campo de G\u00eanero e pesquisadora do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de Educa\u00e7\u00e3o da UFSM, Leonice Mourad \u00e9 uma estudiosa da atua\u00e7\u00e3o feminina no meio campon\u00eas. Nesse campo de estudo, ela p\u00f4de perceber a ampla gama de mulheres que se dizem \u201cdonas de casa\u201d, considerando assim, na vis\u00e3o dessas mulheres, que elas apenas prestam uma &#8220;ajuda&#8221; e n\u00e3o veem essa fun\u00e7\u00e3o como um trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora conceitua a Economia do Cuidado como um tipo de trabalho feito predominantemente por mulheres com o prop\u00f3sito de garantir a sobreviv\u00eancia, o bem-estar e a educa\u00e7\u00e3o no meio familiar e o funcionamento da sociedade como um todo. Esse trabalho \u00e9 realizado prioritariamente no \u00e2mbito dom\u00e9stico e \u00e9 invisibilizado e, geralmente, n\u00e3o remunerado.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Leonice, muitas vezes, em uma unidade de produ\u00e7\u00e3o familiar, o homem acaba sendo o provedor da fam\u00edlia e a mulher assume um papel de assessorar no servi\u00e7o e manter a casa. Mesmo que essa \u201cajuda\u201d demande uma quantidade abastada de tempo, os servi\u00e7os prestados pela mulher ainda s\u00e3o invisibilizados e tidos como nada mais do que uma assessoria ao homem, n\u00e3o sendo devidamente remunerados ou reconhecidos como tendo contribu\u00eddo para a constitui\u00e7\u00e3o da renda familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora tamb\u00e9m aponta para outra interface da Economia do Cuidado: a Economia Reprodutiva. Ela diz respeito a uma s\u00e9rie de atividades que as m\u00e3es precisam desempenhar no \u00e2mbito de cuidados maternos, como a amamenta\u00e7\u00e3o, a limpeza de fraldas, a supervis\u00e3o das crian\u00e7as, entre outras tarefas. Esse tipo de trabalho, atribu\u00eddo para as mulheres por muito tempo ao longo da hist\u00f3ria, \u00e9 ainda desvalorizado na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Papeis de g\u00eanero, recortes de ra\u00e7a e classe social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Economia do Cuidado \u00e9 produto de uma imposi\u00e7\u00e3o social, de um encargo que \u00e9 <em>naturalmente feminino<\/em>\u201d, coloca Leonice. Ela explica que esse compromisso com as atividades dom\u00e9sticas reduz a disponibilidade de hor\u00e1rios para exercer um trabalho remunerado, restringindo a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de poder pelas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto de destaque na Economia do Cuidado \u00e9 que grande parte das atividades desempenhadas nesse sistema s\u00e3o realizadas por mulheres jovens e at\u00e9 mesmo crian\u00e7as, caracterizando o trabalho infantil. Normalmente, o g\u00eanero feminino \u00e9 pressionado muito cedo a seguir certos pap\u00e9is e realizar tarefas que a sociedade lhe imp\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros cruzamentos relevantes dessa sistem\u00e1tica s\u00e3o as quest\u00f5es de classe e ra\u00e7a. Ou seja, o perfil predominante das mulheres que desempenham esse tipo de trabalho s\u00e3o as mulheres negras e de classes sociais mais baixas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A remunera\u00e7\u00e3o e a Economia do Cuidado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Destacamos tamb\u00e9m\u00a0que a denominada Economia do Cuidado com remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 outra \u00e1rea mais reconhecida dentro desse sistema, com especial destaque a atividades de empregadas dom\u00e9sticas, enfermeiras, assistentes sociais e professoras de Ensino Fundamental. Essas profissionais, predominantemente mulheres, t\u00eam pap\u00e9is de cuidado estabelecidos de forma profissional e assalariada, com direitos trabalhistas que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o respeitados e\/ou valorizados<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas delas, como as empregadas dom\u00e9sticas, conquistaram recentemente os seus direitos. <strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp150.htm#:~:text=LEI%20COMPLEMENTAR%20N%C2%BA%20150%2C%20DE%201%C2%BA%20DE%20JUNHO%20DE%202015&amp;text=Disp%C3%B5e%20sobre%20o%20contrato%20de,mar%C3%A7o%20de%201990%2C%20o%20art.\">A Lei Complementar n\u00ba 150<\/a><\/strong>, que regulamenta o servi\u00e7o dessas trabalhadoras, foi aprovada apenas em 2015. Como aponta Leonice, essas mulheres lutam todos os dias por seus direitos e por serem valorizadas em uma sociedade na qual h\u00e1 uma exig\u00eancia pelo cuidado feminino, j\u00e1 que o trabalho masculino sempre foi tido como superior.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m ressalta um agravamento dessa situa\u00e7\u00e3o durante a pandemia. De acordo com um <strong><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/coronavirus\/pt\/\">Relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE)<\/a><\/strong>, 61,5% das m\u00e3es de crian\u00e7as menores de 12 anos afirmam que assumiram a maioria ou a totalidade dos trabalhos de cuidado extra, enquanto apenas 22,4% dos pais relatam o mesmo. Al\u00e9m disso, essas mulheres tamb\u00e9m est\u00e3o no grupo que perdeu seus empregos de forma expressiva durante o 4\u00ba trimestre de 2019 e o 3\u00ba trimestre de 2020, na m\u00e9dia entre os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto isso, \u00e9 essencial que haja uma resposta por parte da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas dessas mulheres, na tentativa de problematizar pap\u00e9is de g\u00eanero e um conjunto de pr\u00e1ticas sociais historicamente constru\u00eddas. Com a compreens\u00e3o dessas pr\u00e1ticas, \u00e9 poss\u00edvel que o debate atinja o poder p\u00fablico e a esfera educacional e seja concretizado o reconhecimento das trabalhadoras, gerando pol\u00edticas p\u00fablicas que atenda essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>TAE, exija o reconhecimento feminino nos espa\u00e7os de trabalho formais e informais!<\/p>\n<\/span><\/span><\/span><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Professora de Ci\u00eancias Sociais, Hist\u00f3ria, Geografia e Educa\u00e7\u00e3o do Campo de G\u00eanero e pesquisadora do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de Educa\u00e7\u00e3o da UFSM, Leonice Mourad \u00e9 uma estudiosa da atua\u00e7\u00e3o feminina no meio campon\u00eas. 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