{"id":12321,"date":"2022-09-20T08:00:00","date_gmt":"2022-09-20T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2022\/09\/20\/20-de-setembro-dia-do-e-da-gaucha-revolucao-farroupilha-e-a-historia-dos-lanceiros-negros\/"},"modified":"2026-04-01T11:31:45","modified_gmt":"2026-04-01T14:31:45","slug":"20-de-setembro-dia-do-e-da-gaucha-revolucao-farroupilha-e-a-historia-dos-lanceiros-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2022\/09\/20\/20-de-setembro-dia-do-e-da-gaucha-revolucao-farroupilha-e-a-historia-dos-lanceiros-negros\/","title":{"rendered":"20 de setembro &#8211; Dia do e da Ga\u00facha, Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha e a hist\u00f3ria dos Lanceiros Negros"},"content":{"rendered":"<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">\n<p>Tamb\u00e9m conhecida como Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, a revolta foi travada durante dez anos (1835-1845), tornando-se a guerra civil mais longa da hist\u00f3ria do pa\u00eds. De um lado, estava o governo imperial brasileiro. Do outro, a elite ga\u00facha insatisfeita com os altos impostos cobrados sobre seus produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da ent\u00e3o prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro do Rio Grande do Sul, em 1836, os farroupilhas perceberam que n\u00e3o havia homens o bastante para fazer frente \u00e0s tropas imperiais. Por essa raz\u00e3o, os republicanos come\u00e7aram a cooptar negros escravizados. Mas n\u00e3o os seus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em vez de cederem a pr\u00f3pria m\u00e3o de obra, os farroupilhas capturavam os negros dos advers\u00e1rios, que serviam aos imperiais ou estavam foragidos, com a promessa de alforria ap\u00f3s o fim da guerra&#8221;, explica o jornalista Juremir Machado da Silva, autor de\u00a0<em>Hist\u00f3ria Regional da Inf\u00e2mia: o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras<\/em>\u00a0(L&amp;PM, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Os negros, portanto, n\u00e3o lutavam pelos ideais farroupilhas, mas pela chance de liberdade. Embora tamb\u00e9m atuassem como infantes (soldados em p\u00e9), acabaram conhecidos na hist\u00f3ria como &#8220;lanceiros negros&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/115964902_rs2.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do Massacre dos Porongos, pintada pelo artista Thiago Krenning\"\/><figcaption>Foto: REPRODU\u00c7\u00c3O\/TVE-RS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Estima-se que, no final da guerra, eles representavam at\u00e9 um ter\u00e7o das tropas farroupilhas, ou aproximadamente 10 mil homens. Era praticamente a metade do contingente imperial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder \u00e0 crescente participa\u00e7\u00e3o dos negros, os imperiais decretaram em 1838 a &#8220;Lei da Chibata&#8221;. Ela determinava que todo escravo que fosse preso fazendo parte das for\u00e7as rebeldes receberia de 200 a 1.000 chibatadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A amea\u00e7a n\u00e3o arrefeceu o \u00edmpeto dos escravos, que continuaram a engrossar as fileiras rebeldes. Mas, apesar da grande serventia nas batalhas, os negros acabariam se tornando um &#8220;problema&#8221; para os farroupilhas. Sobretudo quando ficou evidente que aquela seria uma guerra perdida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"A-trai\u00e7\u00e3o-de-Porongos-\">A trai\u00e7\u00e3o de Porongos<\/h3>\n\n\n\n<p>Diversos conflitos da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha se deram na regi\u00e3o da campanha ga\u00facha, faixa do bioma pampa colada \u00e0 fronteira com o Uruguai, com seus campos repletos de serras e coxilhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois foi no alto de uma delas, conhecida como Cerro dos Porongos, localizado no atual munic\u00edpio de Pinheiro Machado, que aconteceu um dos ataques mais violentos da guerra dos farrapos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 176 anos, na madrugada de 14 de novembro de 1844, um esquadr\u00e3o de lanceiros negros acampado no Cerro dos Porongos foi surpreendido e arrasado pelas tropas imperais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco mais de cem homens negros foram assassinados. Os que n\u00e3o escaparam para quilombos ou para o Uruguai acabaram enviados \u00e0 corte, no Rio de Janeiro, onde seguiram escravizados at\u00e9 a Lei \u00c1urea, 43 anos depois.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/115964900_rs.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o sobre a chacina, pintada pelo artista Thiago Krenning para o programa Na\u00e7\u00e3o da TVE-RS\"\/><figcaption>Foto: REPRODU\u00c7\u00c3O\/TVE<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>H\u00e1 controv\u00e9rsias sobre o que teria facilitado o Massacre dos Porongos. A maioria das evid\u00eancias hist\u00f3ricas, por\u00e9m, indica que a chacina \u00e9 resultado da trai\u00e7\u00e3o do general David Canabarro, homem forte dos farroupilhas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, reconhecendo a iminente derrota, os rebeldes tentavam negociar uma anistia com o imp\u00e9rio. O governo de Dom Pedro 2\u00ba prometeu pensar na proposta. Entre as condi\u00e7\u00f5es para o induto, constava a devolu\u00e7\u00e3o dos escravos capturados.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que a exig\u00eancia n\u00e3o agradaria muitos dos chefes rebeldes, envergonhados com a ren\u00fancia, e tampouco os negros a quem os farroupilhas tinham prometido liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resolver o impasse, Canabarro teria feito um conchavo com os imperiais. &#8220;Ele escreveu ao Bar\u00e3o de Caxias, tramando a data e o local para um ataque ao acampamento dos negros&#8221;, diz o historiador Jorge Euz\u00e9bio Assump\u00e7\u00e3o, autor de&nbsp;<em>Pelotas: Escravid\u00e3o e Charqueadas 1780-1888<\/em>&nbsp;(FCM Editora, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de fazer um conluio com os imperiais, Canabarro relativizou alertas de aproxima\u00e7\u00e3o inimiga e desarmou os lanceiros negros na v\u00e9spera do ataque. O general alegou que a muni\u00e7\u00e3o velha seria substitu\u00edda por outra mais nova e, assim, entregou os guerreiros negros de bandeja aos imperiais.<\/p>\n\n\n\n<p>O general farroupilha nunca deu grandes explica\u00e7\u00f5es sobre o ocorrido. Seus defensores dizem que, no momento da investida, o general estava ocupado como uma das vivandeiras (mulheres que acompanham as tropas com a miss\u00e3o de cozinhar, curar ferimentos e orar pelos moribundos). E que, por essa raz\u00e3o, n\u00e3o teria flagrado a carnificina.<\/p>\n\n\n\n<p>O ataque foi a p\u00e1 de cal n\u00e3o apenas para os soldados negros como tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O combate de Porongos, que mais foi uma matan\u00e7a de um s\u00f3 lado do que peleja, dispersou a principal for\u00e7a republicana, e manifestou estar morta a rebeli\u00e3o&#8221;, escreveu Trist\u00e3o de Alencar Araripe no livro de mem\u00f3rias&nbsp;<em>A Guerra Civil no Rio Grande do Sul<\/em>, publicado em 1881.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratado de paz foi selado quatro meses depois do Massacre dos Porongos, em 28 de fevereiro de 1845, quando Canabarro assinou o acordo confiando na &#8220;palavra sagrada&#8221; e no &#8220;magn\u00e2nimo cora\u00e7\u00e3o&#8221; de Dom Pedro 2\u00ba.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/115965389_rs3.jpg\" alt=\"O professor Jorge Euz\u00e9bio Assump\u00e7\u00e3o em protesto contra o racismo, em Porto Alegre\"\/><figcaption>Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"Heran\u00e7a-maldita-\">Heran\u00e7a maldita<\/h3>\n\n\n\n<p>Todos os anos, no Rio Grande do Sul, comemora-se a tradicional Semana Farroupilha, quando o povo ga\u00facho realiza festejos e acampamentos que celebram e rememoram os ideais, a rep\u00fablica e o grito de guerra ecoado em 20 de setembro de 1835.<\/p>\n\n\n\n<p>O Massacre dos Porongos, por\u00e9m, ainda passa ao largo da maioria das atividades promovidas em Centros de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas (CTG) e acampamentos pelo Estado. Para se ter ideia, apenas em 2004 foi erguido o Memorial Lanceiros Negros em Porongos, um pequeno monumento em homenagem aos guerreiros mortos na emboscada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existe uma clara inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em n\u00e3o abordar esse tema nos festejos de setembro&#8221;, diz o historiador Jorge Euz\u00e9bio Assump\u00e7\u00e3o. &#8220;Essa sonega\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica acontece porque os farroupilhas s\u00e3o um s\u00edmbolo de poder do Rio Grande do Sul , e falar da trai\u00e7\u00e3o contra os negros \u00e9 desmitificar o gauchismo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que Porongos n\u00e3o foi, exatamente, a \u00fanica trai\u00e7\u00e3o dos farroupilhas contra o povo negro, segundo Juremir Machado da Silva. &#8220;Nessa revolu\u00e7\u00e3o que muitos afirmam ser abolicionista, v\u00e1rios negros foram vendidos no Uruguai para financiar o movimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ainda desconhecida para muitos brasileiros (e para muitos ga\u00fachos, na verdade), a hist\u00f3ria do Massacre dos Porongos tem ganhado crescente relev\u00e2ncia, sobretudo em raz\u00e3o das pesquisas hist\u00f3ricas e do crescimento do movimento negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Juremir Machado, a chacina dos lanceiros \u00e9 apenas um tijolo do racismo estrutural constru\u00eddo ao longo o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A trai\u00e7\u00e3o dos farrapos, a aprova\u00e7\u00e3o em 1854 da lei que previa a pris\u00e3o de quem alfabetizasse negros, a falta de um plano de inclus\u00e3o ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o: essas e outras situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o heran\u00e7as que alimentam o desrespeito que ainda coloca o negro, digamos assim, numa posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria&#8221;, diz o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No entanto&#8221;, ele complementa, &#8220;ver o empoderamento dos negros na TV, na literatura ou a massa de pessoas nos protestos do Jo\u00e3o Alberto Freitas (homem de 40 anos que morreu ap\u00f3s ser espancado por seguran\u00e7as em uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre) mostra que as coisas est\u00e3o mudando. Devagar, mas est\u00e3o mudando.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Texto: BBC News Brasil<\/p>\n<\/span><\/span><\/span><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb\u00e9m conhecida como Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, a revolta foi travada durante dez anos (1835-1845), tornando-se a guerra civil mais longa da hist\u00f3ria do pa\u00eds. De um lado, estava o governo imperial brasileiro. Do outro, a elite ga\u00facha insatisfeita com os altos impostos cobrados sobre seus produtos. 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