{"id":13432,"date":"2023-04-11T18:43:10","date_gmt":"2023-04-11T21:43:10","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/04\/11\/avanco-da-diversidade-no-setor-publico-depende-de-acesso-a-poder-de-decisao-dizem-servidores\/"},"modified":"2026-04-01T11:28:12","modified_gmt":"2026-04-01T14:28:12","slug":"avanco-da-diversidade-no-setor-publico-depende-de-acesso-a-poder-de-decisao-dizem-servidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/04\/11\/avanco-da-diversidade-no-setor-publico-depende-de-acesso-a-poder-de-decisao-dizem-servidores\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o da diversidade no setor p\u00fablico depende de acesso a poder de decis\u00e3o, dizem servidores"},"content":{"rendered":"<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">\n<p><em><strong>Grupos sociais come\u00e7am a ganhar espa\u00e7o na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e encabe\u00e7am a\u00e7\u00f5es contra a desigualdade<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As pol\u00edticas transversais com a participa\u00e7\u00e3o de representantes dos diversos polos da sociedade, como negros e pessoas LGBTQIA+, est\u00e3o conquistando mais espa\u00e7o dentro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Para especialistas, esse seria o primeiro passo para construir um setor p\u00fablico mais inclusivo e com resultados concretos para demandas da diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe a gente quer novas pol\u00edticas comprometidas com a desigualdade e sens\u00edveis \u00e0s necessidades dos diferentes grupos, temos que trazer dados, mas tamb\u00e9m a representatividade. Fazer dos representantes desses grupos parte do processo decis\u00f3rio\u201d, disse Ana Paula Rodrigues Diniz, professora no Insper.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a especialista, \u201cpessoas com diferentes backgrounds e experi\u00eancias v\u00e3o olhar para os problemas de formas diferentes. E se todos n\u00f3s temos limites na nossa percep\u00e7\u00e3o, na nossa an\u00e1lise da realidade, a gente pode ter diferentes pontos de observa\u00e7\u00e3o que enriquecem o processo, isso inclusive identificando quais a\u00e7\u00f5es, pol\u00edticas e comportamentos que contribuem para a desigualdade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a 8\u00aa e \u00faltima reportagem da s\u00e9rie O Profissional P\u00fablico do Futuro, parceria entre a Folha e a Rep\u00fablica.org, que debateu temas para a moderniza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico no Brasil voca\u00e7\u00e3o, formas de entrada e a capacita\u00e7\u00e3o para as novas tecnologias.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhando desde 2005 na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a cientista social \u00c2ngela Guimar\u00e3es, professora de sociologia concursada na rede estadual de educa\u00e7\u00e3o, assumiu a secret\u00e1ria de Promo\u00e7\u00e3o e Igualdade Racial da Bahia em janeiro de 2023, na entrada da gest\u00e3o Jer\u00f4nimo Rodrigues (PT) no estado. Est\u00e1 desde 1999 militando pelo movimento negro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA presen\u00e7a de gestores e gestoras negras na estrutura do estado, participando da elabora\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e9 reclamada h\u00e1 muitas d\u00e9cadas pelos movimentos da luta antirracista. O nosso papel nessas secretarias transversais \u00e9 exatamente ecoar e abrir e costurar caminhos\u201d, disse \u00c2ngela.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, a secret\u00e1ria diz que s\u00e3o in\u00fameras as barreiras encontradas na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Esses obst\u00e1culos v\u00e3o desde o baixo or\u00e7amento at\u00e9 a falta de reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAt\u00e9 mesmo o processo de conseguir acesso a outros secret\u00e1rios e secret\u00e1rias para transnacionalizar pol\u00edtica [para discutir programas]. Ter acesso aos pr\u00e9dios p\u00fablicos, porque as pessoas sempre questionam se \u00e9 voc\u00ea mesmo a secret\u00e1ria ou em inaugura\u00e7\u00f5es de eventos perguntam se \u00e9 voc\u00ea mesmo a pessoa que tem que ocupar aquele lugar. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es cotidianas, mas a gente est\u00e1 aqui para enfrent\u00e1-las e derrub\u00e1-las.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Juliana Cristina Teixeira, professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, ter diversidade na composi\u00e7\u00e3o de uma equipe cumpre algumas demandas por ocupa\u00e7\u00e3o de quadro, no entanto, n\u00e3o significa que necessariamente se refere a uma diversidade que est\u00e1 sendo tratada dentro das suas diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente pensa em pol\u00edticas p\u00fablicas que v\u00e3o colher a diferen\u00e7a, a gente est\u00e1 pensando em pol\u00edticas p\u00fablicas e mecanismos de gest\u00e3o que estejam de fato alinhados com as pautas desses movimentos sociais. N\u00e3o adianta colocar essa diversidade para dentro se ela n\u00e3o vai ser ouvida em sua plenitude. \u00c9 um risco da superficialidade dessa ocupa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2006, David Henrique da Silva Pereira, 37, come\u00e7ou a dar aulas de alfabetiza\u00e7\u00e3o e saberes tradicionais (estudo da etnia local) para anos iniciais em escola estadual dentro da aldeia Ekeru\u00e1, na terra ind\u00edgena de Arariba, em Ava\u00ed (SP), onde cresceu e vive at\u00e9 hoje. Para ele, ensinar alunos de um grupo que ele representa \u00e9 fortalecer e perpetuar a identidade cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma escola na aldeia com professores da aldeia tem o papel de formar um cidad\u00e3o que possa ser inserido numa sociedade n\u00e3o ind\u00edgena, mas que, ao mesmo tempo, tem garantido o reconhecimento da identidade cultural para que a hist\u00f3ria do seu povo n\u00e3o se perca\u201d, afirmou ele, que atualmente \u00e9 professor especialista em curr\u00edculo de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena da Diretoria de Ensino de Bauru, da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pereira explicou que esse aluno aprende boa parte da sua cultura na pr\u00f3pria escola, com professores ind\u00edgenas, e tamb\u00e9m s\u00e3o alfabetizados na l\u00edngua das aldeias ao qual pertencem, al\u00e9m de portugu\u00eas e ingl\u00eas. No caso da Ekeru\u00e1, a l\u00edngua \u00e9 a terena. \u201cA representatividade \u00e9 essencial para passar esse conhecimento para as gera\u00e7\u00f5es futuras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A delegada Jamila Jorge Ferrari, coordenadora das DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher), da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 enfrentou machismo em sua carreira de mais de 20 anos, tanto de colegas de trabalho como dos pr\u00f3prios suspeitos \u2014um deles se recusou a responder suas perguntas num interrogat\u00f3rio por ela ser mulher, mas foi sol\u00edcito quando um homem fez os mesmos questionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas e outras, para ela, ter representa\u00e7\u00e3o feminina nas delegacias pode evitar situa\u00e7\u00f5es em que as v\u00edtimas n\u00e3o se sintam acolhidas ao denunciar as agress\u00f5es que sofreram. Ela j\u00e1 trabalhou em casos de homic\u00eddio, feminic\u00eddio, viol\u00eancia contra mulher, crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres buscam solidariedade e sororidade. De alguma forma, elas se sentem mais encorajadas em contar para outra mulher o que aconteceu com elas porque a delegada ou escriv\u00e3, se n\u00e3o viveu aquilo, entende o que ela passa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira gest\u00e3o de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) procurou dar um maior protagonismo \u00e0 diversidade. Dos 37 ministros, 11 s\u00e3o autodeclarados negros ou pardos. Tamb\u00e9m h\u00e1 ind\u00edgenas e uma mulher trans, Symmy Larrat, que assumiu a Secretaria Nacional de Promo\u00e7\u00e3o e Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, pasta ligada ao Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante deixar n\u00edtido E n\u00e3o s\u00f3 falar que apoia uma pauta, n\u00e3o s\u00f3 falar que apoia um momento de visibilidade, n\u00e3o s\u00f3 falar que apoia as pol\u00edticas. H\u00e1 de se ter pr\u00e1ticas que demonstrem que realmente n\u00f3s estamos preocupadas com a promo\u00e7\u00e3o da vida e a prote\u00e7\u00e3o dessas pessoas e dessa popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz a secret\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTer no quadro funcional, no espa\u00e7o de poder, uma pessoa transg\u00eanero \u00e9 demonstrar que n\u00f3s queremos que essas pessoas tamb\u00e9m falem por si, que essas pessoas tamb\u00e9m promovam o fazer p\u00fablico e contribuam com a gest\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Juliana Teixeira, a presen\u00e7a dos grupos minorit\u00e1rios dentro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica deve ser mais ampla, n\u00e3o apenas voltada a \u00e1rea em que a pessoa esteja inserida dentro da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante que esses grupos sejam diversamente ocupados em todas as \u00e1reas de governo. \u00c9 muito comum a gente pensar, por exemplo, que as pessoas negras s\u00f3 pudessem estar nos espa\u00e7os que pautem e gerem pol\u00edticas diretamente raciais\u201d, diz a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 preciso que esses grupos diversos estejam nos espa\u00e7os ligados ao desenvolvimento econ\u00f4mico, nas pastas do Minist\u00e9rio da Fazenda, do Planejamento, do Desenvolvimento Agr\u00e1rio. N\u00e3o adianta s\u00f3 colocar nas pautas espec\u00edficas de diversidade. \u00c9 pensar que essas categorias de g\u00eanero, ra\u00e7a, orienta\u00e7\u00e3o sexual definam a estrutura social como um todo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<\/span><\/span><\/span><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupos sociais come\u00e7am a ganhar espa\u00e7o na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e encabe\u00e7am a\u00e7\u00f5es contra a desigualdade As pol\u00edticas transversais com a participa\u00e7\u00e3o de representantes dos diversos polos da sociedade, como negros e pessoas LGBTQIA+, est\u00e3o conquistando mais espa\u00e7o dentro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. 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