{"id":13847,"date":"2023-06-21T08:00:00","date_gmt":"2023-06-21T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/06\/21\/junho-o-mes-do-orgulho-lgbtqiap-entenda-o-que-significa-cada-letra-da-sigla\/"},"modified":"2026-04-01T11:31:30","modified_gmt":"2026-04-01T14:31:30","slug":"junho-o-mes-do-orgulho-lgbtqiap-entenda-o-que-significa-cada-letra-da-sigla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/06\/21\/junho-o-mes-do-orgulho-lgbtqiap-entenda-o-que-significa-cada-letra-da-sigla\/","title":{"rendered":"Junho: o m\u00eas do orgulho LGBTQIAP+; entenda o que significa cada letra da sigla"},"content":{"rendered":"<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">\n<p>A invisibilidade \u00e9 um dos maiores desafios para a comunidade LGBT+ em seu ser\/estar no mundo. Assim como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desenhar boas estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o ambiental sem considerar adequadamente o bioma, as comunidades e as culturas locais, dificilmente conseguiremos prosperar como sociedade enquanto parte de n\u00f3s estiver invisibilizada frente \u00e0s diversas institui\u00e7\u00f5es, \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e0 economia e ao Estado.&nbsp;<strong>Assim como a padroniza\u00e7\u00e3o e a homogeneiza\u00e7\u00e3o da natureza vem adoecendo o mundo, a padroniza\u00e7\u00e3o e a homogeneiza\u00e7\u00e3o da sociedade adoece a humanidade e gera conflito e desigualdade estrutural.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante entendermos que as l\u00f3gicas que buscam padronizar e homogeneizar corpos, experi\u00eancias e desejos conflitam com as l\u00f3gicas de povos, comunidades e grupos sociais que se organizam e se fortalecem a partir de pr\u00e1ticas de diversidade. Em \u2018Gay Indians in Brazil\u2019 (2017), Estev\u00e3o Fernandes e Barbara Arisi discutem a coloniza\u00e7\u00e3o da sexualidade e como a heteronormatividade, ou seja, a vis\u00e3o de que apenas a heterossexualidade \u00e9 normal ou correta, estabeleceu padr\u00f5es de sexualidade para a experi\u00eancia sexual dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ante o poder da heteronormatividade a diversidade buscou novas estrat\u00e9gias de enfrentar a viol\u00eancia da invisibilidade. A LGBTfobia e suas muitas formas de manifesta\u00e7\u00e3o, individuais e estruturais, contribuem para o apagamento da diversidade de gentes que povoam cada espa\u00e7o social imagin\u00e1vel, para muito al\u00e9m da multid\u00e3o que se agita sob a bandeira do arco-\u00edris pelas ruas do mundo neste m\u00eas, simbolizado pelo orgulho e enfrentamento da invisibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) de 2019, cerca de 1,9% da popula\u00e7\u00e3o brasileira se identifica como homossexual ou bissexual, o que corresponde a 2,9 milh\u00f5es de pessoas com 18 anos completos ou mais. Entretanto, 1,1% da popula\u00e7\u00e3o (1,7 milh\u00e3o de pessoas) disse&nbsp;n\u00e3o saber responder \u00e0 quest\u00e3o e 2,3% (3,6 milh\u00f5es) se recusaram a responder.&nbsp;Embora estes dados j\u00e1 pare\u00e7am expressivos, ainda n\u00e3o refletem o que uma pesquisa, como o recenseamento previsto para 2022, pode alcan\u00e7ar. Incluir no censo quest\u00f5es relativas \u00e0 comunidade LGBT+ nos permitiria ter dados que &nbsp;forne\u00e7am uma maior diversidade de an\u00e1lises, assim como problematizar a invisibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a coleta de dados oficiais seja imprescind\u00edvel para o desenho e direcionamento adequado de pol\u00edticas p\u00fablicas, todos n\u00f3s, nos espa\u00e7os pessoais e profissionais, temos oportunidades di\u00e1rias de promover o reconhecimento e a visibilidade de pessoas da comunidade LGBT+. Estas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para enfrentar o silenciamento e invisibilidade da diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo famoso de silenciamento institucional foi a lei estadunidense conhecida como \u201cDon\u2019t Ask, Don\u2019t Tell\u201d (N\u00e3o Pergunte, N\u00e3o Conte, em tradu\u00e7\u00e3o livre para o portugu\u00eas). Institu\u00edda em 1993, a lei obrigava membros das for\u00e7as armadas dos EUA a esconderem sua orienta\u00e7\u00e3o sexual sob risco de expuls\u00e3o. Poderiam, assim, lutar ou morrer pela p\u00e1tria desde que seus arm\u00e1rios de a\u00e7o permanecessem devidamente trancados. A medida vigorou at\u00e9 20 de setembro de 2011, quando foi revogada.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a Portaria 158\/2016 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a resolu\u00e7\u00e3o da diretoria colegiada \u2013 RDC 34\/2014 da Anvisa, estabelecem crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o para potenciais doadores de sangue, considerando inaptos, dentre outros, homens que tiveram rela\u00e7\u00f5es sexuais com outros homens e suas parceiras sexuais. Estas medidas refor\u00e7am o preconceito contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT+, afastam, sem fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ou cient\u00edfica, milhares de pessoas dos j\u00e1 esvaziados bancos de sangue do Brasil, ou imp\u00f5e um silenciamento velado a doadores regulares. A discrimina\u00e7\u00e3o imposta por estas medidas foi reconhecida pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal na A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade \u2013 ADI 5.543, julgada pelo STF em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da PNS 2019, que apresentamos antes, chamam nossa aten\u00e7\u00e3o tanto pelos resultados dos respondentes, quanto dos n\u00e3o respondentes, lembrando-nos que aus\u00eancia de resposta tamb\u00e9m \u00e9 um dado importante a ser analisado. A n\u00e3o-resposta pode nos levar a pensar sobre o porqu\u00ea pessoas seguem preferindo n\u00e3o responder a quest\u00f5es que foram preparadas para reconhecer suas identidades. Ser\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es pessoais e coletivas permitiam que elas respondessem \u00e0s quest\u00f5es, ou, ent\u00e3o, qu\u00e3o acolhidas se sentiram diante de quem lhes perguntava.<\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade brasileira \u00e9 extremamente desigual, e esta desigualdade apoia-se no preconceito tornando dif\u00edcil avaliar com seguran\u00e7a de que lado da tomada de dados se encontram as maiores barreiras. \u00c9 fato que quem n\u00e3o pergunta n\u00e3o tem respostas. As intersec\u00e7\u00f5es entre sexo, g\u00eanero e sexualidade podem tornar complexos os caminhos do di\u00e1logo em um mundo mentalmente \u2018binarizado\u2019 entre meninas de rosa e meninos de azul. Assim, \u00e9 fundamental que todes n\u00f3s estejamos fortemente engajades e abertes pra pluralizar nossas mentes, cora\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A invisibilidade apoia-se no sil\u00eancio, no apagamento e na nega\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias. Aqui, especificamente, quando discutimos a comunidade LGBT+, falamos da censura \u00e0s express\u00f5es dos desejos relativos ao modo como cada um compreende seu corpo, identidade e afetos no mundo. Enfrentar o sil\u00eancio passa pelo reconhecimento, pela afirma\u00e7\u00e3o, pelo orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Institucionalmente, podemos pensar que passa pelo compromisso de produzir dados que nos permitam afirmar a diversidade de nossas equipes, assim como daquelas e daqueles com quem interagimos para construir um futuro poss\u00edvel em que todes, pessoas e natureza, prosperem. Aqui podemos pensar desde as medidas mais complexas, como grandes projetos de investiga\u00e7\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o em torno de pol\u00edticas p\u00fablicas afirmativas apoiadas em justi\u00e7a ambiental, at\u00e9 instrumentos do cotidiano, como uma lista de presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentar o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, s\u00e3o mais de 500 anos de coloniza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, saberes e sexualidades. Mas precisamos aprender como inventar novas formas de reconhecimento. O sil\u00eancio, como falamos, \u00e9 violento, marca corpos, subjetividades, grupos, institui\u00e7\u00f5es e estados. Produzir dados, estabelecer di\u00e1logos e atuar na transforma\u00e7\u00e3o nos permite contribuir de forma efetiva no compromisso por equidade e respeito \u00e0s identidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo, saiba o significado de cada letra da sigla LGBTQIAP+:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">L \u2013 L\u00e9sbicas<\/h3>\n\n\n\n<p>O termo refere-se a pessoa que se identifica como do sexo feminino e que se relaciona afetiva e\/ou sexualmente com pessoas do sexo feminino.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">G \u2013 Gays<\/h3>\n\n\n\n<p>Aqui, o termo refere-se a pessoa que se identifica como do sexo masculino &nbsp;e que se relaciona afetiva e\/ou sexualmente com pessoas do sexo masculino.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">B \u2013 Bissexual<\/h3>\n\n\n\n<p>O termo agrupa as pessoas que se relacionam afetiva e\/ou sexualmente com pessoas dos g\u00eaneros masculino, feminino ou demais g\u00eaneros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">T \u2013 Transg\u00eanero<\/h3>\n\n\n\n<p>Trans s\u00e3o as pessoas cuja identidade ou express\u00e3o de g\u00eanero (comportamento e apar\u00eancia que uma pessoa usa para expressar seu g\u00eanero) \u00e9 oposta ao sexo que lhe foi atribu\u00eddo no nascimento. O termo transg\u00eanero abrange muitas identidades de g\u00eanero diferentes, e as pessoas trans podem ter diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Q \u2013 Queer<\/h3>\n\n\n\n<p>Se refere a qualquer pessoa que n\u00e3o seja hetero e n\u00e3o-cisg\u00eanero \u2013 &nbsp;lembrando que cisg\u00eaneros s\u00e3o as pessoas cuja identidade e express\u00e3o de g\u00eanero corresponde ao sexo atribu\u00eddo no nascimento. O termo Queer (esquisito, em ingl\u00eas) foi considerado pejorativo durante muito tempo. Mas, recentemente, passou a ser adotado pela comunidade LGBT+. Tamb\u00e9m \u00e9 usado como um termo de rejei\u00e7\u00e3o aos r\u00f3tulos de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">I \u2013 Intersexo<\/h3>\n\n\n\n<p>Pessoas que possuem caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas (cromossomos, genit\u00e1lia, horm\u00f4nios etc.) que n\u00e3o correspondem ao que \u00e9 identificado como masculino ou feminino. Pessoas intersexo podem ter diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais e identidades de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A \u2013 Assexuado <\/h3>\n\n\n\n<p>Termo que se refere a pessoas que n\u00e3o tem interesse ou atra\u00e7\u00e3o sexual por outra pessoa. Aqui tamb\u00e9m independe da orienta\u00e7\u00e3o sexual e da identidade de g\u00eanero do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">P \u2013 Pansexual <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Pessoas que se sentem atra\u00eddas por todos os g\u00eaneros; tem quem n\u00e3o coloque a letra P na sigla por entender que essa classifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 contemplada pelo \u201cB\u201d de bissexuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">+ \u2013 Sinal de mais<\/h3>\n\n\n\n<p>O sinal de mais \u00e9 utilizado para incluir outros grupos e vari\u00e1veis de orienta\u00e7\u00f5es e identidades de g\u00eanero, como os pansexuais (indiv\u00edduos que t\u00eam atra\u00e7\u00e3o sexual por pessoa de qualquer sexo ou identidade de g\u00eanero).<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Teresa Moreira \u00e9 especialista de governan\u00e7a ambiental, e M\u00f4nica Vila\u00e7a,\u00a0<\/em>\u00e9 soci\u00f3loga, ambas\u00a0<em>na nossa equipe da<\/em>\u00a0The Nature Conservancy (TNC) Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Texto: The Nature Conservancy (TNC) Brasil e Trampolim StartUp Caf\u00e9<\/p>\n<\/span><\/span><\/span><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A invisibilidade \u00e9 um dos maiores desafios para a comunidade LGBT+ em seu ser\/estar no mundo. 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