{"id":14562,"date":"2023-09-22T18:04:29","date_gmt":"2023-09-22T21:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/09\/22\/stf-derruba-tese-ruralista-do-marco-temporal\/"},"modified":"2026-04-01T11:31:23","modified_gmt":"2026-04-01T14:31:23","slug":"stf-derruba-tese-ruralista-do-marco-temporal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/09\/22\/stf-derruba-tese-ruralista-do-marco-temporal\/","title":{"rendered":"STF derruba tese ruralista do marco temporal"},"content":{"rendered":"<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">\n<p>O Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/\">STF<\/a>) alcan\u00e7ou uma maioria decisiva contra a tese do marco temporal. A decis\u00e3o veio durante a sess\u00e3o desta quarta-feira (20). Os ministros rejeitaram a aplica\u00e7\u00e3o da tese no processo de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. A ideia, defendida por bolsonaristas e ruralistas, dificulta a demarca\u00e7\u00e3o de terras de povos origin\u00e1rios. O placar no Tribunal ficou em nove votos contr\u00e1rios e apenas dois favor\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta conquista representa uma vit\u00f3ria significativa para as comunidades ind\u00edgenas, que h\u00e1 muito se op\u00f5em \u00e0 tese do marco temporal. A tese estipula que apenas terras ocupadas por ind\u00edgenas at\u00e9 o dia 5 de outubro de 1988, data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, podem ser demarcadas como territ\u00f3rios ind\u00edgenas. Essa interpreta\u00e7\u00e3o se baseia no artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o, que afirma:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o reconhecidos aos \u00edndios sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es, e os direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo \u00e0 Uni\u00e3o demarc\u00e1-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento do recurso relativo a essa quest\u00e3o retornou \u00e0 pauta do plen\u00e1rio nesta quarta-feira (20), ap\u00f3s correr desde em agosto de 2021. O voto do ministro Luiz Fux consolidou o entendimento de que o uso do marco temporal como crit\u00e9rio para a concess\u00e3o de terras aos povos origin\u00e1rios viola a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ministros que votaram contra o marco temporal<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O relator do caso, ministro Edson Fachin<\/li>\n\n\n\n<li>O ministro Alexandre de Moraes<\/li>\n\n\n\n<li>O ministro Cristiano Zanin<\/li>\n\n\n\n<li>O ministro Lu\u00eds Roberto Barroso<\/li>\n\n\n\n<li>O ministro Dias Toffoli<\/li>\n\n\n\n<li>A ministra C\u00e1rmen L\u00facia<\/li>\n\n\n\n<li>Gilmar Mendes<\/li>\n\n\n\n<li>Rosa Weber<\/li>\n\n\n\n<li>Luiz Fux<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No entanto, dois votos a favor da valida\u00e7\u00e3o do uso do marco temporal argumentaram a tese como um requisito objetivo para a concess\u00e3o de terras aos ind\u00edgenas. S\u00e3o os dos ministros Nunes Marques e Andr\u00e9 Mendon\u00e7a. Ambos, divergindo da l\u00f3gica prudente do direito, seguiram a posi\u00e7\u00e3o daquele que os indicou ao cargo no Supremo: Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades ind\u00edgenas s\u00e3o veementemente contr\u00e1rias ao marco temporal. O argumento \u00e9 de que a posse hist\u00f3rica de suas terras n\u00e3o deve ser vinculada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o em 5 de outubro de 1988. Assim entende a Constitui\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea prote\u00e7\u00e3o a esses povos, independentes de condicionantes que s\u00f3 privilegiam o agroneg\u00f3cio. Eles destacam que muitas comunidades s\u00e3o n\u00f4mades. Ent\u00e3o, que outras foram deslocadas de suas terras durante a ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dignidade de um povo<\/h2>\n\n\n\n<p>A ministra C\u00e1rmen L\u00facia, que votou logo ap\u00f3s o ministro Fux, tamb\u00e9m se manifestou contra o marco temporal. Ent\u00e3o, ela enfatizou que o caso diz respeito \u00e0 \u201cdignidade de um povo\u201d e ressaltou a enorme d\u00edvida da sociedade brasileira para com os povos origin\u00e1rios. \u201cA quest\u00e3o em discuss\u00e3o envolve a dignidade \u00e9tnica de um povo. Este, dizimado e oprimido ao longo de cinco s\u00e9culos de hist\u00f3ria\u201d, declarou a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda est\u00e1 pendente a defini\u00e7\u00e3o de propostas de tese sobre o assunto at\u00e9 a conclus\u00e3o do julgamento. Essas propostas sintetizar\u00e3o os posicionamentos do STF sobre a quest\u00e3o. Ent\u00e3o, abordar\u00e1 temas como a indeniza\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-\u00edndigenas que atualmente ocupam \u00e1reas reivindicadas pelos povos origin\u00e1rios. Tamb\u00e9m, a compensa\u00e7\u00e3o de que os povos ind\u00edgenas tem direito \u00e0 concess\u00e3o da \u00e1rea reivindicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma decis\u00e3o final dos ministros neste caso ter\u00e1 um alcance amplo, sendo aplicada em casos semelhantes nas inst\u00e2ncias inferiores do Judici\u00e1rio e orientando o processo de demarca\u00e7\u00e3o conduzido pelo Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Texto: Rede Brasil Atual<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Foto: Marcelo Camargo\/ABr<\/p>\n<\/span><\/span><\/span><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) alcan\u00e7ou uma maioria decisiva contra a tese do marco temporal. A decis\u00e3o veio durante a sess\u00e3o desta quarta-feira (20). Os ministros rejeitaram a aplica\u00e7\u00e3o da tese no processo de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. 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