{"id":14978,"date":"2023-11-20T11:34:27","date_gmt":"2023-11-20T14:34:27","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/11\/20\/saiba-o-que-e-racismo-estrutural-e-como-ele-atinge-a-populacao-brasileira\/"},"modified":"2026-04-01T11:04:36","modified_gmt":"2026-04-01T14:04:36","slug":"saiba-o-que-e-racismo-estrutural-e-como-ele-atinge-a-populacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2023\/11\/20\/saiba-o-que-e-racismo-estrutural-e-como-ele-atinge-a-populacao-brasileira\/","title":{"rendered":"Saiba o que \u00e9 racismo estrutural e como ele atinge a popula\u00e7\u00e3o brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><em><strong>Segundo especialistas, racismo \u00e9 respons\u00e1vel por perpetuar as desigualdades e rela\u00e7\u00f5es de poder no pa\u00eds, e n\u00e3o pode ser encarado como um preconceito isolado<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Muito se fala que o racismo n\u00e3o \u00e9 um preconceito somente, mas algo que estrutura a sociedade e as rela\u00e7\u00f5es de poder. Mas, ainda hoje o racismo estrutural, muitas vezes, \u00e9 confundido com racismo institucional, levantando questionamentos de como ele funciona e de como atinge a vida das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um bate-papo com a fil\u00f3sofa Djamila Ribeiro sobre o tema, o professor de Direito e ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, afirma que \u201cn\u00e3o existe racismo que n\u00e3o seja estrutural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o racismo, segundo essa acep\u00e7\u00e3o, \u00e9 estrutural porque o racismo n\u00e3o \u00e9 um ato, o racismo \u00e9 o processo em que as condi\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade reproduzem a subalternidade de determinados grupos que s\u00e3o identificados racialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 estrutural [o racismo] porque estrutura todas as institui\u00e7\u00f5es\u201d, pontuou o agora ministro, que \u00e9 autor do livro \u201cO que \u00e9 racismo estrutural?\u201d, da cole\u00e7\u00e3o Feminismos Plurais, coordenada por Djamila.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[Racismo estrutural] n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o moral, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o jur\u00eddica, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o somente econ\u00f4mica\u201d, continuou o ministro, lembrando que o racismo est\u00e1 em todas as estruturas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da hist\u00f3ria para entender o conceito<br>Para entender as ra\u00edzes do racismo estrutural no Brasil e como essa hist\u00f3ria come\u00e7ou a se perpetuar at\u00e9 os dias de hoje, \u00e9 necess\u00e1rio voltar ao in\u00edcio do s\u00e9culo XVI ao s\u00e9culo XIX, onde instituiu-se a escravid\u00e3o, marcada principalmente pela explora\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da m\u00e3o de obra de negros e negras trazidos do continente africano, e que aqui foram transformados em escravos pelos europeus colonizadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o no Brasil, situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 teve fim por conta da resist\u00eancia dos negros escravizados, somado ao interesse econ\u00f4mico internacional, deixaram marcas profundas de desigualdade em todas as estruturas de poder. Disparidade que orienta e conduz, at\u00e9 os dias de hoje, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, culturais e institucionais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, em 1888, pessoas negras n\u00e3o tiveram acesso \u00e0 terra, indeniza\u00e7\u00e3o ou reparo por tanto tempo de trabalho for\u00e7ado. Muitos permaneceram nas fazendas em que trabalhavam em servi\u00e7o pesado e informal. Foi a partir da\u00ed que se instalou a exclus\u00e3o de pessoas negras dentro das institui\u00e7\u00f5es, na pol\u00edtica, e em todos os espa\u00e7os de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 racismo estrutural<br>Racismo estrutural \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, institucionais, hist\u00f3ricas e culturais dentro de uma sociedade que frequentemente privilegia algumas ra\u00e7as em detrimento de outras.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u00e9 usado para refor\u00e7ar o fato de que h\u00e1 sociedades estruturadas no racismo, o que favorece pessoas brancas e desfavorece negros e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar de racismo estrutural \u00e9 lembrar das quest\u00f5es centrais que mant\u00e9m esse processo longo de desigualdade entre brancos e negros e que se desdobram no genoc\u00eddio de pessoas negras, no encarceramento em massa, na pobreza e na viol\u00eancia contra mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo tem diversas maneiras de se manifestar, afirma a doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Adriana Moreira, alertando que \u00e9 necess\u00e1rio pensar em estrat\u00e9gias e instrumentos para combat\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo que ela d\u00e1 \u00e9 o quesito cor. De acordo com a doutora, o sistema, que controla as matr\u00edculas e as informa\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as nas cidades, foi implementado sem que nenhum funcion\u00e1rio da rede passasse pela forma\u00e7\u00e3o para debater o quesito cor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos entender porque os meninos negros saem mais cedo da escola do que os garotos brancos, o que acontece no ambiente escolar, quais s\u00e3o as trajet\u00f3rias desses meninos, porque que esses meninos s\u00e3o mais colocados numa trajet\u00f3ria de morte na adolesc\u00eancia do que os meninos brancos. S\u00e3o quest\u00f5es fundamentais, que quando a gente discute a estrutura\u00e7\u00e3o dos processos, constr\u00f3i a racionaliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es e das rela\u00e7\u00f5es institucionais e interpessoais, ajuda a pensar em possibilidades de desfazer os processos\u201d, argumenta Adriana.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos de racismo estrutural<br>A aus\u00eancia de negros e negras em cargos de lideran\u00e7as nas maiores empresas do pa\u00eds mostra que o racismo estrutural atua em diversas dimens\u00f5es e camadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele estrutura a sociedade a partir da desvaloriza\u00e7\u00e3o e restri\u00e7\u00e3o de oportunidades de pessoas negras e na ascens\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos exemplos de racismo estrutural brasileiro \u00e9 a morte do menino Miguel Ot\u00e1vio Santana da Silva, deixado no elevador por Sar\u00ed C\u00f4rte Real, patroa da m\u00e3e de Miguel, enquanto a dom\u00e9stica passeava com o cachorro da fam\u00edlia. A patroa apertou o bot\u00e3o de um andar alto, liberou a porta e, indiferente, retornou \u00e0 casa para continuar fazendo as unhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Miguel, na \u00e9poca com 5 anos, desembarcou em outro andar, passou por uma porta e, \u00e0 procura da m\u00e3e, acabou chegando em uma \u00e1rea sem tela de prote\u00e7\u00e3o, e despencou de uma altura de 35 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>O menino era filho \u00fanico da empregada dom\u00e9stica Mirtes Renata. Mirtes o levou ao trabalho porque a escola estava fechada em fun\u00e7\u00e3o das medidas sanit\u00e1rias necess\u00e1rias na pandemia causada pelo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso \u00e9 emblem\u00e1tico ao mostrar as possibilidades de escolha de uma pessoa negra e uma pessoa branca diante de um mesmo contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>A secretaria de Combate ao Racismo da CUT, Maria Julia Reis Nogueira, afirma que \u201cs\u00f3 seremos realmente livres quando homens e mulheres, negros e brancos, forem tratados de forma que seus direitos sejam assegurados por toda sociedade brasileira.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds continental que convive com as contradi\u00e7\u00f5es de consolidar a democracia e ainda conviver com situa\u00e7\u00f5es de racismo e de desigualdade. Para se tornar um pa\u00eds desenvolvido precisamos erradicar toda e qualquer discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito\u201d, completa Maria Julia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo de racismo estrutural que n\u00e3o se pode esquecer foi a morte da empregada dom\u00e9stica de 63 anos no Rio de Janeiro, a primeira v\u00edtima da Covid-19 no pa\u00eds, que trabalhava em um apartamento no Alto Leblon, bairro da zona sul do Rio \u2013 regi\u00e3o com o metro quadrado mais valorizado do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi negado \u00e0 trabalhadora o direito de ficar em casa durante a quarentena, j\u00e1 que ela fazia parte do grupo de risco. A patroa que havia chegado da Europa se contaminou e sobreviveu, a dom\u00e9stica n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia de Covid-19 foi um momento de exacerba\u00e7\u00e3o do racismo estrutural no Brasil, onde os mais afetados pela maior crise sanit\u00e1ria do s\u00e9culo foram, al\u00e9m das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, a popula\u00e7\u00e3o negra, ind\u00edgena e a classe trabalhadora, como a dom\u00e9stica do Rio de Janeiro e o menino de Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo do N\u00facleo de Opera\u00e7\u00f5es e Intelig\u00eancia em Sa\u00fade, grupo da PUC-Rio, confirma que pretos e pardos morreram mais de Covid-19 do que brancos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Portal CUT<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo especialistas, racismo \u00e9 respons\u00e1vel por perpetuar as desigualdades e rela\u00e7\u00f5es de poder no pa\u00eds, e n\u00e3o pode ser encarado como um preconceito isolado Muito se fala que o racismo n\u00e3o \u00e9 um preconceito somente, mas algo que estrutura a sociedade e as rela\u00e7\u00f5es de poder. 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