{"id":15443,"date":"2024-01-17T14:04:31","date_gmt":"2024-01-17T17:04:31","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2024\/01\/17\/como-as-privatizacoes-contribuem-para-o-aumento-da-desigualdade-no-brasil-e-no-mundo\/"},"modified":"2026-04-01T11:31:16","modified_gmt":"2026-04-01T14:31:16","slug":"como-as-privatizacoes-contribuem-para-o-aumento-da-desigualdade-no-brasil-e-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2024\/01\/17\/como-as-privatizacoes-contribuem-para-o-aumento-da-desigualdade-no-brasil-e-no-mundo\/","title":{"rendered":"Como as privatiza\u00e7\u00f5es contribuem para o aumento da desigualdade no Brasil e no mundo"},"content":{"rendered":"\n<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">A privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas est\u00e1 entre as principais causas do aumento da desigualdade social no mundo, de acordo com um estudo realizado pela organiza\u00e7\u00e3o internacional Oxfam. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/15\/cinco-mais-ricos-do-mundo-dobram-patrimonio-em-3-anos-enquanto-60-ficam-mais-pobres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho foi divulgado na segunda-feira (15)\u00a0<\/a>e indica que a venda de companhias estatais faz com que empres\u00e1rios fiquem cada vez mais ricos enquanto lucram prestando servi\u00e7os cada vez mais caros \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cada vez mais pobre.\n\nA Oxfam dedica-se h\u00e1 anos a levantar dados sobre o aumento da discrep\u00e2ncia social entre ricos e pobres no mundo. A entidade divulga anualmente um relat\u00f3rio sobre o assunto junto com o<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/15\/sem-nos-nao-tem-perspectivas-diz-russia-sobre-negociacoes-de-paz-em-davos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0in\u00edcio do F\u00f3rum Mundial Econ\u00f4mico de Davos<\/a>, na Su\u00ed\u00e7a, onde lideran\u00e7as pol\u00edticas e empresariais de todo mundo re\u00fanem-se para tratar desse e de outros assuntos.\n\nNeste ano, o relat\u00f3rio da Oxfam foi intitulado de \u201cDesigualdade S.A.\u201d. Est\u00e1 focado em explicar como grandes empresas est\u00e3o entre as grandes respons\u00e1veis pelo crescimento forte e constante da desigualdade mundial.\n\nSegundo a Oxfam, a riqueza dos cinco mais ricos do mundo dobrou desde 2020. Ao mesmo tempo, 60% da popula\u00e7\u00e3o global \u2013 cerca de 5 bilh\u00f5es de pessoas \u2013 ficou mais pobre. Ainda de acordo com a entidade, isso aconteceu, em parte, por conta das privatiza\u00e7\u00f5es.\n\nNo Brasil, h\u00e1 pol\u00edticos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/02\/entre-bolsonaro-e-kassab-tarcisio-fecha-1-ano-de-governo-com-pm-mais-violenta-e-privatizacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como o governador de S\u00e3o Paulo<\/a>, Tarc\u00edsio de Freitas (Republicanos), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ainda defendem esse tipo de venda do patrim\u00f4nio p\u00fablico, aliando-se ao interesse de grandes companhias interessadas em expandir seus neg\u00f3cios. Para a Oxfam, o resultado dessas opera\u00e7\u00f5es \u00e9 uma maior concentra\u00e7\u00e3o de renda.\n\n\u201cUma forma importante \u2013 embora subestimada \u2013 pela qual o poder das grandes empresas fomenta a desigualdade \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Em todo o mundo, esse poder est\u00e1 pressionando incessantemente o setor p\u00fablico, mercantilizando e, muitas vezes, segregando o acesso a servi\u00e7os vitais como educa\u00e7\u00e3o, \u00e1gua e sa\u00fade, enquanto obt\u00e9m enormes lucros bancados pelos contribuintes e destr\u00f3i a capacidade dos governos de fornecer o tipo de servi\u00e7os p\u00fablicos universais e de alta qualidade que poderiam transformar vidas e reduzir a desigualdade\u201d, diz o relat\u00f3rio.\n\n\u201cA privatiza\u00e7\u00e3o pode funcionar bem para os ricos, incluindo as elites econ\u00f4micas e pol\u00edticas, que podem se beneficiar financeiramente, bem como quem tem recursos suficientes para pagar por servi\u00e7os privados caros. No entanto, um robusto conjunto de evid\u00eancias demonstra que, em muitos casos, a privatiza\u00e7\u00e3o provoca exclus\u00e3o, empobrecimento e outras consequ\u00eancias prejudiciais\u201d, acrescenta.\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>\u2018Privatiza\u00e7\u00e3o moderna\u2019<\/strong><\/p>\nA Oxfam ressalta que o interesse em privatiza\u00e7\u00f5es \u00e9 enorme j\u00e1 que \u201celas movimentam trilh\u00f5es de d\u00f3lares e representam imensas oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de lucros\u201d. Institui\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial, que em tese atua para reduzir a pobreza e desigualdade, seguem apoiando esse tipo de neg\u00f3cio, que hoje acontece de diversas formas: \u201cintegra\u00e7\u00e3o deliberada do setor empresarial em pol\u00edticas e programas p\u00fablicos, terceiriza\u00e7\u00f5es e parcerias p\u00fablico-privadas (PPPs)\u201d, enumera.\n\n\u201cMuitos sistemas contempor\u00e2neos [de privatiza\u00e7\u00e3o], como as PPP e a terceiriza\u00e7\u00e3o, podem ser altamente dispendiosos para o Estado e exigir que os contribuintes garantam os lucros do setor privado. Os riscos fiscais das PPPs s\u00e3o particularmente elevados, o que lhes valeu o apelido de \u2018bombas-rel\u00f3gio or\u00e7ament\u00e1rias\u2019. O fato desses sistemas representarem frequentemente um fardo pesado para os cofres p\u00fablicos e geralmente custarem mais do que os servi\u00e7os p\u00fablicos coloca em quest\u00e3o os argumentos de que a privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria porque o setor p\u00fablico carece de recursos suficientes\u201d, escreve a Oxfam, sobre as novas formas de privatiza\u00e7\u00e3o.\n\nMauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acrescenta que a situa\u00e7\u00e3o financeira dos estados segue como o maior argumento em favor das privatiza\u00e7\u00f5es. Segundo ele, inclusive no Brasil,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/03\/meta-de-deficit-zero-nas-contas-publicas-aprofunda-desigualdade-afirma-economista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o setor empresarial pressiona os governos\u00a0<\/a>por corte de gastos e controle do or\u00e7amento p\u00fablico. Isso, na verdade, inviabiliza o funcionamento de estatais e a presta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o de qualidade. Resta ao Estado, portanto, privatizar.\n\n\u201cO que o mercado financeiro fala? Que o Estado tem que cortar os gastos. Se h\u00e1 corte de gastos, o governo reduz o investimento, inclusive nas estatais. Elas param de ter efici\u00eancia. Vira\u00a0um argumento para privatizar\u201d, descreve Weiss. \u201cO privado faz a demoniza\u00e7\u00e3o das estatais porque eles querem privatiza\u00e7\u00e3o a pre\u00e7o baixo no mercado.\u201d\n\nSegundo Weiss, esse discurso de austeridade pautou privatiza\u00e7\u00f5es de Bolsonaro.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/09\/entenda-qual-e-a-relacao-entre-a-privatizacao-da-eletrobras-e-o-futuro-do-saneamento-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Empresas como a Eletrobras<\/a>\u00a0tiveram seu controle vendido por\u00a0valores question\u00e1veis. Empres\u00e1rios ganharam espa\u00e7o em setores essenciais e com pouca concorr\u00eancia \u2013 no caso, energia el\u00e9trica \u2013, demitiram trabalhadores e aumentaram os ganhos da diretoria.\n\nA Eletrobras, por exemplo, lan\u00e7ou um plano de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria (PDV) ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o para desligar mais de 2 mil trabalhadores. Ao mesmo tempo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/12\/23\/petrobras-vende-campo-e-eletrobras-da-aumento-de-ate-3-500-a-diretores-no-fim-do-governo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a empresa aumentou em 3.500% no sal\u00e1rio de seus administradores<\/a>.\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Desigualdade tribut\u00e1ria<\/strong><\/p>\nJefferson Nascimento, coordenador de Justi\u00e7a Social e Econ\u00f4mica da Oxfam Brasil, diz que o fortalecimento do or\u00e7amento p\u00fablico \u00e9 fundamental para evitar as privatiza\u00e7\u00f5es e reduzir a\u00a0desigualdade. Isso ocorre basicamente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/10\/imposto-sobre-renda-e-riqueza-e-essencial-para-diminuir-desigualdade-tema-precisa-ir-ao-congresso-neste-ano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cobrando mais impostos dos\u00a0ricos<\/a>\u00a0para oferecer melhores servi\u00e7os aos pobres.\n\n\u201cExiste um amplo apoio ao fornecimento de servi\u00e7os p\u00fablicos universais, e esses servi\u00e7os t\u00eam custo. Os custos s\u00e3o pagos por impostos\u201d, lembrou. \u201cOs impostos precisam ser mais justos para financiar esses servi\u00e7os.\u201d\n\nNo Brasil, no entanto, o sistema tribut\u00e1rio contribui com as injusti\u00e7as, segundo Nascimento. O governo concede descontos em tributos para empresas e sobre determinadas despesas\u00a0que s\u00f3 beneficiam a popula\u00e7\u00e3o mais rica.\n\nEle lembra por exemplo que todas as custas m\u00e9dicas podem ser descontadas sobre o Imposto de Renda. Contudo, s\u00f3 ricos t\u00eam esse tipo de gasto, j\u00e1 que\u00a0grande parte da popula\u00e7\u00e3o usa o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). \u201cCerca de 400 mil pessoas deduziram do seu imposto de renda R$ 26 bilh\u00f5es s\u00f3 em 2022. Isso \u00e9 23% de tudo o que foi deduzido em despesas m\u00e9dicas no ano, de acordo com dados da Receita.\u201d\n\nNascimento diz que o governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) tem sinalizado um esfor\u00e7o para a mudan\u00e7a na tributa\u00e7\u00e3o sobre renda no pa\u00eds. Para ele, contudo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro quanto foi o empenho feito para a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/09\/como-ficam-alimentos-e-remedios-na-reforma-tributaria-entenda-a-proposta-aprovada-em-26-pontos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reforma\u00a0dos impostos sobre o consumo<\/a>, aprovada no ano passado sem um efeito significativo contra a desigualdade.\n\nAo mesmo tempo, o governo estabeleceu o d\u00e9ficit zero das contas p\u00fablicas j\u00e1 a partir de 2024 e colocou em vigor o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/04\/06\/teto-de-gastos-x-novo-arcabouco-entenda-as-principais-diferencas-entre-as-regras-fiscais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Novo Arcabou\u00e7o Fiscal (Naf)<\/a>. A nova regra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/04\/06\/teto-de-gastos-x-novo-arcabouco-entenda-as-principais-diferencas-entre-as-regras-fiscais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">limita o gasto p\u00fablico com base no crescimento da receita<\/a>. Isso pode enfraquecer ainda mais o estado caso a arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o cres\u00e7a e acabar, ao fim, fomentando novas privatiza\u00e7\u00f5es.\n<h4 class=\"editor\">Texto: Brasil de Fato<\/h4>\n<h4>Foto: Elineudo Meira<\/h4><\/span><\/span><\/span><\/span>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas est\u00e1 entre as principais causas do aumento da desigualdade social no mundo, de acordo com um estudo realizado pela organiza\u00e7\u00e3o internacional Oxfam. 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