{"id":21876,"date":"2025-11-28T20:33:11","date_gmt":"2025-11-28T23:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2025\/11\/28\/racismo-institucional-expoe-inercia-da-ufsm\/"},"modified":"2026-04-01T11:28:27","modified_gmt":"2026-04-01T14:28:27","slug":"racismo-institucional-expoe-inercia-da-ufsm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2025\/11\/28\/racismo-institucional-expoe-inercia-da-ufsm\/","title":{"rendered":"Racismo institucional exp\u00f5e in\u00e9rcia da UFSM"},"content":{"rendered":"\n<p><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Maio de 2022. Era o primeiro semestre presencial na UFSM ap\u00f3s a pandemia, depois de dois anos de ensino remoto, quando milhares de estudantes voltaram aos campi da UFSM, sob exig\u00eancia da vacina\u00e7\u00e3o completa e do uso obrigat\u00f3rio de m\u00e1scaras. Esperava-se que as \u00fanicas inseguran\u00e7as fossem o frio na barriga, t\u00edpico de recome\u00e7os, dando in\u00edcio a um ciclo mais otimista da organiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de ut\u00f3pico, este foi o cen\u00e1rio durante a mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade antirracista da Universidade em maio de 2022, quando uma estudante do Centro de Artes e Letras usou suas redes sociais para disseminar textos racistas contra um dos seus colegas de curso. Na \u00e9poca, segundo o G1, a investiga\u00e7\u00e3o foi coordenada pela Pol\u00edcia Civil, paralelamente \u00e0 apura\u00e7\u00e3o interna do CAL e a um processo disciplinar da UFSM, que resultou na suspens\u00e3o da aluna por 60 dias.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2023, o caso voltou \u00e0 tona com o retorno da estudante, que desta vez ingressou como aluna do curso de Filosofia, no Centro de Ci\u00eancias Sociais e Humanas (CCSH). No dia a dia da Universidade, a impunidade da jovem motivou diversas manifesta\u00e7\u00f5es no CCSH, para a den\u00fancia do racismo institucional na UFSM.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da implementa\u00e7\u00e3o do Programa de A\u00e7\u00f5es Afirmativas de Inclus\u00e3o Racial e Social em 2007 \u2013 anterior \u00e0 san\u00e7\u00e3o da <\/span><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12711.htm\"><b>Lei n\u00ba 12.711, de 2012,<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que garante cotas sociais e \u00e9tnico-raciais em processos seletivos federais \u2013, a UFSM carrega um hist\u00f3rico silencioso e persistente de casos de racismo institucional. Assim como em 2022, a Universidade acumulou den\u00fancias impunes de racismo, tamb\u00e9m entre 2017 e 2019, motivadas por picha\u00e7\u00f5es de teor discriminat\u00f3rio encontradas em diferentes Centros de Ensino.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre 2017 e 2019, a UFSM registrou ao menos seis den\u00fancias de racismo, todas sem autoria oficialmente identificada. Os casos envolveram picha\u00e7\u00f5es com mensagens de \u00f3dio racial em espa\u00e7os como os banheiros da Biblioteca Central e do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico. Al\u00e9m disso, os Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos dos cursos de Direito e Ci\u00eancias Sociais tamb\u00e9m foram alvos, com ataques direcionados a estudantes negros(as), revelando um padr\u00e3o recorrente de viol\u00eancia dentro da Universidade.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre agosto e novembro de 2017, o Diret\u00f3rio Livre de Direito (DLD) e o Diret\u00f3rio Acad\u00eamico de Ci\u00eancias Sociais (DACS) da UFSM foram centro de manifesta\u00e7\u00f5es racistas \u2014 incluindo desenhos de su\u00e1sticas, picha\u00e7\u00f5es com frases como \u201cFora Macacos\u201d e men\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas a alunas e alunos negros. As mensagens tamb\u00e9m traziam afirma\u00e7\u00f5es de supremacia branca como \u201cBrancos no Topo\u201d, o que refor\u00e7a a gravidade dos ataques.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a Pol\u00edcia Federal tenha iniciado investiga\u00e7\u00f5es e periciado o material, <\/span><b>nenhuma autoria foi oficialmente identificada<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Na \u00e9poca, a UFSM emitiu notas de rep\u00fadio e instaurou processos administrativos, mas, segundo as testemunhas que foram consultadas, n\u00e3o havia informa\u00e7\u00f5es sobre suspeitos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em nota enviada \u00e0 ASSUFSM, a Corregedoria-Chefe da UFSM informou que casos como esse enfrentam entraves investigativos que comprometem a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos autores. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de c\u00e2meras nos locais e a dificuldade em determinar o momento exato dos atos dificultam a apura\u00e7\u00e3o. O setor ainda afirma que as imagens coletadas nas \u00e1reas pr\u00f3ximas registraram apenas movimenta\u00e7\u00f5es habituais, sem qualquer evid\u00eancia conclusiva que permita ao sistema judicial avan\u00e7ar com as puni\u00e7\u00f5es aos respons\u00e1veis.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta Antirracista dentro do Sindicalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O T\u00e9cnico Administrativo em Educa\u00e7\u00e3o e Coordenador de Esporte, Cultura e Lazer da ASSUFSM, Paulo Quadrado, comenta sobre a import\u00e2ncia e a participa\u00e7\u00e3o do sindicato na luta contra o racismo dentro da Universidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA ASSUFSM tamb\u00e9m participa desse contexto, colocando em pr\u00e1tica aquilo que discutimos dentro da nossa categoria, que \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do(a) servidor(a) t\u00e9cnico- administrativo(a) negro(a). E, consequentemente, ela se engaja junto com estudantes e professores(as) justamente para que as cotas sejam cada vez mais permanentes\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo ele, o Grupo de Trabalho Pol\u00edticas Sociais e Antirracismo da entidade j\u00e1 desenvolve a\u00e7\u00f5es h\u00e1 bastante tempo, desde o per\u00edodo em que a ASSUFSM se transformou em se\u00e7\u00e3o sindical. Hoje, Paulo \u00e9 um dos dois \u00fanicos coordenadores negros da entidade. Ele ressalta que essa realidade torna ainda mais urgente o compromisso com pautas antirracistas.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTemas como esse jamais ficar\u00e3o de lado. A gente contribui da melhor maneira poss\u00edvel com essas discuss\u00f5es, junto ao DCE, e \u00e0 se\u00e7\u00e3o sindical dos docentes. Temos uma longa bagagem do que foi a UFSM para os(as)negros(as) de antigamente e do que \u00e9 agora, com os(as) atuais negros(as) que fazem parte da universidade\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A TAE Alessandra Alfaro, mestra em Ci\u00eancias Sociais, comenta que a impunidade faz parte das consequ\u00eancias da aus\u00eancia de um \u00e2ngulo antirracista nas inst\u00e2ncias de poder.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cInfelizmente, a UFSM n\u00e3o \u00e9 diferente do Judici\u00e1rio. No pr\u00f3prio sistema judicial, s\u00e3o rar\u00edssimos os casos em que h\u00e1 condena\u00e7\u00f5es por crime de racismo ou mesmo por inj\u00faria racial. O Judici\u00e1rio tamb\u00e9m reproduz o que a autora Cida Bento chama de <\/span><b>Pacto da Branquitude<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Como as pessoas respons\u00e1veis por julgar geralmente n\u00e3o vivenciam essas situa\u00e7\u00f5es, elas t\u00eam dificuldade em reconhecer os pequenos vieses e sutilezas das viol\u00eancias raciais que enfrentamos no cotidiano\u201d, afirma a TAE.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alessandra comenta que a exig\u00eancia de provas concretas acaba resultando na impunidade de muitas den\u00fancias na Universidade e tamb\u00e9m destaca que essa pr\u00e1tica acaba por desestimular as den\u00fancias \u00e0 Ouvidoria.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A TAE \u00c2ngela Souza, coordenadora do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros e Ind\u00edgenas, o NEABI, explica que os processos envolvendo as \u00faltimas den\u00fancias citadas t\u00eam conclus\u00f5es morosas dentro da Universidade e acabam afetando diretamente a experi\u00eancia universit\u00e1ria das v\u00edtimas e dos discentes.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMesmo quando h\u00e1 provas, a Universidade n\u00e3o age com a firmeza que o tema exige. Afinal, o racismo \u00e9 crime e a UFSM n\u00e3o possui ainda mecanismos que garantam a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos(as) autores(as) destes atos.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c2ngela relata que o impacto vai al\u00e9m das v\u00edtimas diretas, afetando a viv\u00eancia de aliados(as) do movimento antirracista assim como da comunidade negra da Universidade.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEste tempo e essa energia, mental e f\u00edsica, que poder\u00edamos estar dedicando \u00e0 equidade racial, passamos tratando dos processos que acabam sendo arquivados e esquecidos pela gest\u00e3o da Universidade\u201d, lamenta a TAE.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><b>O IMPACTO NO CEN\u00c1RIO UNIVERSIT\u00c1RIO E ACAD\u00caMICO<\/b><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo dados da Prograd (Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o), a m\u00e9dia de evas\u00e3o de estudantes na UFSM entre 2010 e 2020 foi de 16,81%, o que se qualifica como uma m\u00e9dia menor comparada aos dados nacionais. Por\u00e9m, segundo um estudo desenvolvido em 2024 pelo curso de Ci\u00eancias Sociais na UFSM, a tend\u00eancia de desist\u00eancia dentro do curso \u00e9 ainda maior entre estudantes de classes mais baixas e grupos minorit\u00e1rios. Entre os fatores que colaboram para esses dados inclui-se a falta de sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento que, segundo \u00c2ngela, se deve \u00e0 falta de representatividade na Universidade e ao ataque recorrente \u00e0s pessoas pretas dentro do ambiente universit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAo ingressar no espa\u00e7o universit\u00e1rio, encontramos os mesmos preconceitos que enfrentamos dentro da sociedade. Isso se manifesta, por exemplo, no impacto que certos s\u00edmbolos e identidades causam: ver nossas guias, nossos cocares, nossos cabelos black, ainda gera estranhamento para quem sempre ocupou a universidade com o privil\u00e9gio de se ver representado(a)\u201d, relata a TAE.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com \u00c2ngela, a popula\u00e7\u00e3o acad\u00eamica era composta grande parte por pessoas brancas, o que est\u00e1 mudando gradualmente, gra\u00e7as \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas. Contudo, por mais que as cotas abram um pouco mais de espa\u00e7o na comunidade universit\u00e1ria, hoje elas apenas cumprem o seu prop\u00f3sito m\u00ednimo de ocupa\u00e7\u00e3o e ainda n\u00e3o representam a porcentagem de 56% da popula\u00e7\u00e3o brasileira que se reconhece como preta, parda e ind\u00edgena segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) de 2022.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa aus\u00eancia de negros e negras continua nos espa\u00e7os mais avan\u00e7ados tamb\u00e9m. Recentemente, entrei no Mestrado e sou a \u00fanica pessoa negra na turma. Isso diz muito sobre como ainda somos sub-representados, mesmo ap\u00f3s tantas lutas&#8221;, comenta \u00c2ngela.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m dos fatores mais percept\u00edveis,\u00a0 a TAE tamb\u00e9m aborda a aus\u00eancia de autores(as) pretos(as) no repert\u00f3rio acad\u00eamico como uma das principais lacunas que sustentam o racismo institucional. Para ela, a presen\u00e7a de pessoas negras e ind\u00edgenas na Universidade carrega uma responsabilidade hist\u00f3rica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMuitas(os) de n\u00f3s viemos de movimentos sociais e quando acessamos esses espa\u00e7os, precisamos nos organizar e trazer as nossas pautas\u201d, afirma. Dessa forma, segundo ela, uma das estrat\u00e9gias dessa presen\u00e7a \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento a partir das pr\u00f3prias viv\u00eancias.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com dados retirados da base de dados da <\/span><b>Plataforma Lattes\/CNPq,<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> apenas <\/span><b>7,4%<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> dos docentes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas, exatas e da terra s\u00e3o negros(as), pardos ou ind\u00edgenas. Al\u00e9m de os dados corroborarem com o relato de \u00c2ngela, a TAE Alessandra Alfaro tamb\u00e9m exp\u00f5e essa problem\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEra como se f\u00f4ssemos animais ou extraterrestres, objetos a serem estudados. Ainda hoje, em eventos que envolvem divulga\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum ouvir que h\u00e1 poucas pessoas negras no corpo docente e discente da UFSM. Precisamos fazer parte efetiva e de autoria dentro da Universidade.\u201d\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alessandra descreve a sensa\u00e7\u00e3o de entrar na Universidade antes das cotas, como adentrar \u201cum templo branco\u201d, onde era preciso se adaptar \u00e0s normas impostas.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNa \u00e9poca, se n\u00e3o nos adequ\u00e1ssemos, n\u00f3s \u00e9ramos exclu\u00eddos da comunidade. Por\u00e9m, em raz\u00e3o das pol\u00edticas de cotas, hoje percebemos um processo de desacomoda\u00e7\u00e3o. Estamos fazendo os(as) professores(as), t\u00e9cnicos(as) e colegas entenderem que existem outras epistemologias, outras formas de pesquisa, outros referenciais te\u00f3ricos. Precisamos fazer esse giro epistemol\u00f3gico\u201d, afirma Alessandra.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esta desacomoda\u00e7\u00e3o, citada por Alessandra, tamb\u00e9m \u00e9 expressa por meio da literatura brasileira. Em 2024, a Folha de S\u00e3o Paulo organizou uma vota\u00e7\u00e3o entre cem especialistas liter\u00e1rios para eleger os 25 melhores livros brasileiros do s\u00e9culo XXI. O resultado, divulgado em maio de 2025, destaca o protagonismo crescente de autores(as) negros(as), ind\u00edgenas e mulheres, com obras como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Um Defeito de Cor<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Ana Maria Gon\u00e7alves,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Torto Arado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Itamar Vieira Junior, e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Avesso da Pele<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Jeferson Ten\u00f3rio, entre as mais votadas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse movimento de valoriza\u00e7\u00e3o e reconhecimento de vozes historicamente marginalizadas foi tema de um epis\u00f3dio do podcast Caf\u00e9 da Manh\u00e3, da pr\u00f3pria Folha, que ressaltou como essa nova configura\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria representa uma mudan\u00e7a no imagin\u00e1rio nacional e na forma como o Brasil entende sua pr\u00f3pria diversidade cultural.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><b>ESTRAT\u00c9GIAS E A\u00c7\u00d5ES NO ENFRENTAMENTO AO RACISMO INSTITUCIONAL<\/b><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde abril de 2025, o Grupo de Trabalho Pol\u00edticas Sociais e Antirracismo da ASSUFSM ocorre toda \u00faltima quarta-feira do m\u00eas. Assim como citado por Paulo Quadrado, durante os GTs s\u00e3o discutidas pautas importantes para a perman\u00eancia de pessoas pretas dentro do ambiente acad\u00eamico e para dar destaque \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o ativa na constru\u00e7\u00e3o da Universidade, seja por meio da atua\u00e7\u00e3o sindical, da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento ou da luta por direitos dentro da institui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Alessandra Alfaro, \u00e9 necess\u00e1rio aumentar e incentivar a participa\u00e7\u00e3o de pessoas brancas como ouvintes nesses momentos, reconhecendo seus privil\u00e9gios e compreendendo que o enfrentamento ao racismo tamb\u00e9m \u00e9 uma responsabilidade de quem ocupa posi\u00e7\u00f5es historicamente favorecidas. Segundo ela, integrar o aprendizado da Cultura Afro-Brasileira e Ind\u00edgena como parte da forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 uma estrat\u00e9gia essencial na constru\u00e7\u00e3o de uma Universidade antirracista que, por consequ\u00eancia, ter\u00e1 o poder de transformar a sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, a TAE tamb\u00e9m comenta sobre alternativas e solu\u00e7\u00f5es que poderiam ser integradas no processo de responsabiliza\u00e7\u00e3o daqueles que cometem atos de racismo dentro da universidade. Ela sugere que, em vez de apenas aplicar uma puni\u00e7\u00e3o, a pessoa envolvida fizesse um Termo de Ajuste de Conduta, que envolvesse a participa\u00e7\u00e3o de um curso, um ciclo formativo ou ainda a realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho comunit\u00e1rio \u2014 a\u00e7\u00f5es que contribu\u00edssem para uma mudan\u00e7a real em sua vis\u00e3o de mundo e tamb\u00e9m para a sua forma\u00e7\u00e3o pessoal.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o Coordenador Paulo Quadrado se faz urgente e necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o da Pr\u00f3-Reitoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas e Equidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMais uma vez, a gente entende que agora \u00e9 a hora, \u00e9 o momento de n\u00f3s, negros(as) \u2014 tanto t\u00e9cnico-administrativos(as) como professores e estudantes \u2014 reivindicarmos para os(as) futuros(as) gestores(as) da UFSM a Pr\u00f3-Reitoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas e Equidade. Com certeza, com essa Pr\u00f3-Reitoria, vai haver mais combatividade nessas a\u00e7\u00f5es\u201dafirma Paulo Quadrado.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele tamb\u00e9m aponta fragilidades na estrutura atual do NEABI, que exerce um importante papel de controle mas que, em raz\u00e3o da falta de um envolvimento maior de outros Centros de Ensino e setores da Universidade, n\u00e3o atinge a\u00e7\u00f5es concretas no combate ao racismo na UFSM. Diante disso, Paulo Quadrado refor\u00e7a a import\u00e2ncia de uma inst\u00e2ncia pr\u00f3pria e efetiva dentro da gest\u00e3o universit\u00e1ria.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A coordenadora do NEABI refor\u00e7a que o N\u00facleo se compromete a assumir um papel ativo no enfrentamento ao racismo institucional, fortalecendo espa\u00e7os de acolhimento e promovendo a\u00e7\u00f5es que tornem a universidade mais atenta e responsiva \u00e0s vozes negras.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c2ngela destacou a necessidade de uma escuta qualificada e de uma Ouvidoria preparada para lidar com casos de racismo e machismo dentro da Universidade. Segundo ela, se quem atende essas demandas n\u00e3o estiver capacitado(a), corre o risco de reproduzir as mesmas viol\u00eancias que as v\u00edtimas est\u00e3o denunciando.\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Muitas vezes as pessoas pretas se deparam com pessoas brancas escutando, mas essas pessoas brancas n\u00e3o t\u00eam a sensibilidade necess\u00e1ria com a pauta&#8221;, pontua.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela ressalta que muitas dessas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas como crime ou sequer compreendidas como processos que adoecem \u2014 e que, em casos graves, podem levar at\u00e9 a tentativas de suic\u00eddio. Por isso, defende que o acolhimento dessas den\u00fancias seja feito por uma equipe multidisciplinar, com psic\u00f3logos(as), assistentes sociais e outros(as) profissionais capacitados(as), que possam ouvir com empatia e responsabilidade as pessoas afetadas pelo racismo e outras formas de viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A luta por uma Universidade verdadeiramente antirracista n\u00e3o se limita \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, mas exige transforma\u00e7\u00e3o estrutural. Enquanto a comunidade acad\u00eamica segue denunciando as viol\u00eancias e propondo caminhos concretos, como a cria\u00e7\u00e3o de uma Pr\u00f3-Reitoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas e Equidade, o desafio maior \u00e9 fazer com que essas vozes n\u00e3o apenas ecoem \u2014 mas sejam ouvidas e acolhidas com o compromisso que a pauta exige.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 diante desse cen\u00e1rio que a Universidade precisa escolher entre manter-se c\u00famplice de um sistema que adoece ou agir com coragem para garantir perman\u00eancia, dignidade e representatividade a todas e todos que constroem o saber dentro da UFSM.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O racismo n\u00e3o se combate apenas com notas de rep\u00fadio. Ele se enfrenta com pol\u00edticas p\u00fablicas, escuta qualificada, forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e a\u00e7\u00f5es concretas. E a hora de agir \u2014 como bem lembram as lideran\u00e7as negras desta reportagem \u2014 \u00e9 agora!<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Texto: J\u00falia Ilha, com supervis\u00e3o de Tainara Liesenfeld<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maio de 2022. Era o primeiro semestre presencial na UFSM ap\u00f3s a pandemia, depois de dois anos de ensino remoto, quando milhares de estudantes voltaram aos campi da UFSM, sob exig\u00eancia da vacina\u00e7\u00e3o completa e do uso obrigat\u00f3rio de m\u00e1scaras. Esperava-se que as \u00fanicas inseguran\u00e7as fossem o frio na barriga, t\u00edpico de recome\u00e7os, dando in\u00edcio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":21877,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-21876","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21876"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29223,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21876\/revisions\/29223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}