{"id":22802,"date":"2026-03-27T11:12:42","date_gmt":"2026-03-27T14:12:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2026\/03\/27\/inclusao-da-misoginia-como-crime-de-preconceito-e-aprovada-e-vai-a-camara-fonte-agencia-senado\/"},"modified":"2026-04-01T11:28:26","modified_gmt":"2026-04-01T14:28:26","slug":"inclusao-da-misoginia-como-crime-de-preconceito-e-aprovada-e-vai-a-camara-fonte-agencia-senado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2026\/03\/27\/inclusao-da-misoginia-como-crime-de-preconceito-e-aprovada-e-vai-a-camara-fonte-agencia-senado\/","title":{"rendered":"Inclus\u00e3o da misoginia como crime de preconceito \u00e9 aprovada e vai \u00e0 C\u00e2mara"},"content":{"rendered":"\n<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">O Plen\u00e1rio do Senado aprovou, nesta ter\u00e7a-feira (24), a inclus\u00e3o da misoginia entre os crimes de preconceito ou discrimina\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/156025\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PL 896\/2023<\/a>). A pena para esse tipo de crime \u00e9 de dois a cinco anos de pris\u00e3o, al\u00e9m de multa.\n\nO projeto foi aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, na forma de um substitutivo apresentado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ao projeto da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). A mat\u00e9ria segue para a C\u00e2mara dos Deputados.\n\nO texto aprovado define a misoginia como \u201ca conduta que exteriorize \u00f3dio ou avers\u00e3o \u00e0s mulheres\u201d. O projeto tamb\u00e9m inclui a express\u00e3o &#8220;condi\u00e7\u00e3o de mulher&#8221; entre os crit\u00e9rios de interpreta\u00e7\u00e3o da Lei do Racismo (<a href=\"https:\/\/normas.leg.br\/?urn=urn:lex:br:federal:lei:1989-01-05;7716\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei 7.716, de 1989<\/a>), ao lado de cor, etnia, religi\u00e3o e proced\u00eancia.\n\nA legisla\u00e7\u00e3o atual equipara a misoginia \u00e0 inj\u00faria e \u00e0 difama\u00e7\u00e3o \u2013 com pena que pode ir de dois meses a um ano de reclus\u00e3o, de acordo com o <a href=\"https:\/\/normas.leg.br\/?urn=urn:lex:br:federal:decreto.lei:1940-12-07;2848\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Penal<\/a> (arts. 139 a 141). Para evitar poss\u00edveis conflitos de interpreta\u00e7\u00e3o, Soraya apresentou uma emenda para que o C\u00f3digo Penal passe a reger t\u00e3o somente a inj\u00faria no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, e n\u00e3o a inj\u00faria mis\u00f3gina \u2013 \u201csubstancialmente mais grave que a primeira\u201d, segundo a senadora.\n\nA relatora apontou que pa\u00edses como Fran\u00e7a, Argentina e Reino Unido j\u00e1 t\u00eam leis de combate \u00e0 misoginia. Soraya lembrou que, s\u00f3 no ano de 2025, houve quase 7 mil v\u00edtimas de tentativas de feminic\u00eddio no Brasil. Ela alertou para a amea\u00e7a representada pelos chamados <em>red pills<\/em>, que incentivam o \u00f3dio contra as mulheres, frequentemente por meio da internet.\n\n\u2014 O projeto \u00e9 para proteger a fam\u00edlia e a dignidade e a liberdade das mulheres. A aprova\u00e7\u00e3o do projeto responde a uma realidade urgente. O \u00f3dio \u00e0s mulheres n\u00e3o \u00e9 abstrato: \u00e9 estruturado, \u00e9 crescente e ceifa vidas todos os dias \u2014 afirmou Soraya.\n<h3><strong>Conceitos<\/strong><\/h3>\nA relatora disse lamentar o fato de o pa\u00eds, segundo ela, odiar mais a palavra &#8220;feminismo&#8221; do que &#8220;feminic\u00eddio&#8221;. Segundo Soraya, para deliberar sobre o projeto seria importante o entendimento de quatro conceitos: machismo, femismo, feminismo e misoginia.\n\n\u2014\u00a0O termo contr\u00e1rio ao machismo n\u00e3o \u00e9 feminismo, \u00e9 &#8220;femismo&#8221;. E o que femismo significa? Ideologia que defende a superioridade da mulher sobre o homem. O feminismo \u00e9 um movimento que luta pela igualdade de direitos, oportunidades e tratamento entre homens e mulheres; n\u00e3o visa \u00e0 superioridade.\u00a0Por sua vez, o que vem a ser a misoginia? A misoginia se traduz no \u00f3dio, na avers\u00e3o, no desprezo extremo \u00e0s mulheres, muitas vezes manifestado por meio de viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica e difama\u00e7\u00e3o.\n<h3><strong>Diverg\u00eancias<\/strong><\/h3>\nAt\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o no Plen\u00e1rio, houve diverg\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o ao projeto. Enquanto alguns senadores apontavam o projeto como uma defesa da fam\u00edlia e das mulheres, outros temiam riscos \u00e0 liberdade de express\u00e3o e banaliza\u00e7\u00e3o da Lei de Racismo.\n\nA mat\u00e9ria j\u00e1 havia <a href=\"\/noticias\/audios\/2025\/10\/ccj-equipara-misoginia-ao-crime-de-racismo-texto-vai-a-camara\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sido aprovada<\/a>, em dezembro de 2025, na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) de forma terminativa, o que significa que o texto iria direto para a C\u00e2mara dos Deputados. No entanto, houve um recurso para que fosse ao Plen\u00e1rio. A vota\u00e7\u00e3o, inicialmente prevista para a semana passada, <a href=\"\/noticias\/materias\/2026\/03\/18\/senado-pode-votar-na-terca-inclusao-da-misoginia-entre-crimes-de-preconceito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">chegou a ser adiada<\/a>, na tentativa de um acordo.\n<h3><strong>Fam\u00edlia<\/strong><\/h3>\nAna Paula defendeu seu projeto e afirmou que, a cada semana de atraso na aprova\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, cresce a viol\u00eancia contra as mulheres. A senadora disse que o projeto s\u00f3 pede que as mulheres sejam respeitadas e tenham a liberdade de viver suas vidas.\n\n\u2014 N\u00e3o odiamos os homens nem somos contra a fam\u00edlia. Somos a favor das mulheres, que est\u00e3o pedindo socorro \u2014 declarou a autora.\n\nLogo ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o, Ana Paula Lobato pediu a palavra para ler uma s\u00e9rie de ofensas e amea\u00e7as, inclusive de morte, que recebeu pela internet, por conta da autoria do projeto. Acrescentou que a aprova\u00e7\u00e3o tem peso pol\u00edtico, jur\u00eddico e moral. Segundo ela, o Brasil est\u00e1 cansado de enterrar mulheres e testemunhar humilha\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Por isso, ressaltou, a misoginia n\u00e3o pode ser tratada como um detalhe, pois \u00e9 uma \u201ccultura que desumaniza antes do crime\u201d.\n\n\u2014 Agora, existe uma resposta clara do Estado brasileiro. \u00c9 o Senado dizendo que a misoginia tem consequ\u00eancias \u2014 celebrou a senadora.\n\nA senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou que o projeto reconhece a realidade da viol\u00eancia enfrentada pelas mulheres. Ela definiu a misoginia como \u201cuma doen\u00e7a que se instalou dentro da sociedade\u201d e pediu coragem ao Senado para apresentar uma resposta ao pa\u00eds.\n\nNa vis\u00e3o de Zenaide Maia (PSD-RN), tipificar a misoginia \u00e9 uma forma de preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Ela disse que o Congresso Nacional n\u00e3o pode ficar de bra\u00e7os cruzados vendo mulheres sendo assassinadas.\n\nSegundo a senadora Teresa Leit\u00e3o (PT-PE), o \u00f3dio contra as mulheres se manifesta de forma organizada, seja na internet ou nos feminic\u00eddios. Por isso, ressaltou, o projeto \u00e9 necess\u00e1rio.\n\n\u2014 Quando ocorre um feminic\u00eddio, uma fam\u00edlia \u00e9 destru\u00edda \u2014 argumentou Teresa.\n\nO senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que a misoginia \u00e9 um problema crescente e mundial. Ele apontou que a internet tem sido um campo f\u00e9rtil para a a\u00e7\u00e3o dos mis\u00f3ginos. Para o senador, o projeto \u00e9 importante, acertado e contempor\u00e2neo.\n\nFabiano Contarato (PT-ES) lamentou os recentes casos de feminic\u00eddio em seu estado e no pa\u00eds. Segundo o senador, em 2025, foram quatro mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio por dia no Brasil.\n\nOs senadores Styvenson Valentim (PSDB-RN), Efraim Filho (Uni\u00e3o-PB), Eduardo Braga (MDB-AM) e Margareth Buzetti (PP-MT) tamb\u00e9m manifestaram apoio ao projeto. Para o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), o projeto \u00e9 importante e urgente, pois o Brasil vive uma epidemia de viol\u00eancia contra as mulheres.\n\n\u2014 Este projeto \u00e9 a favor da fam\u00edlia. N\u00e3o existe fam\u00edlia sem a m\u00e3e de fam\u00edlia \u2014 apontou Randolfe.\n<h3><strong>Destaque<\/strong><\/h3>\nPara o senador Eduardo Gir\u00e3o (Novo-CE), o projeto deveria ter uma ressalva, como previsto em uma de suas emendas, para vedar \u201ca puni\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es de natureza art\u00edstica, cient\u00edfica, jornal\u00edstica, acad\u00eamica ou religiosa, quando ausente a inten\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria\u201d. Um destaque apresentado para votar essa emenda de forma separada foi rejeitado.\n\nA senadora Damares Alves (Republicanos-DF) se disse preocupada com uma poss\u00edvel banaliza\u00e7\u00e3o da Lei do Racismo. Para a senadora, o ideal seria incluir a misoginia na legisla\u00e7\u00e3o penal.\n\n\u2014 Estamos lutando pelo sonho da tipifica\u00e7\u00e3o da misoginia. Mas este \u00e9 o instrumento certo? \u2014 questionou a senadora, prevendo que a mat\u00e9ria ser\u00e1 modificada na C\u00e2mara dos Deputados e enviada de volta ao Senado.\n\nO senador Carlos Portinho (PL-RJ) reconheceu que h\u00e1 condutas que agridem e ofendem as mulheres. Ele pediu o envolvimento dos homens na defesa dos direitos femininos. Portinho, no entanto, disse temer o que chamou de ativismo judicial. O senador sugeriu a inclus\u00e3o da frase &#8220;observadas as garantias e liberdades individuais previstas na Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\nA relatora ponderou que a Constitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 garante a liberdade de express\u00e3o e est\u00e1 acima de todas as leis. Assim, registrou Soraya, n\u00e3o haveria a necessidade de registro da ressalva no texto do projeto.\n<h3><strong>Emendas<\/strong><\/h3>\nSoraya acatou uma das quatro emendas apresentadas em Plen\u00e1rio pelo senador Eduardo Gir\u00e3o. A sugest\u00e3o de Gir\u00e3o altera a ementa da Lei do Racismo, ao incluir a refer\u00eancia aos crimes resultantes de discrimina\u00e7\u00e3o: preconceito de ra\u00e7a, cor, etnia, religi\u00e3o, proced\u00eancia nacional ou praticados em raz\u00e3o de misoginia. Hoje, a ementa da lei faz refer\u00eancia apenas aos &#8220;crimes resultantes de preconceito de ra\u00e7a ou de cor&#8221;.\n\nPor tratarem de tema correlato, o projeto aprovado e o <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/156075\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PL 985\/2023<\/a>, do ex-senador Mecias de Jesus, tramitaram de forma conjunta. Com a aprova\u00e7\u00e3o da proposta da senadora Ana Paula, o texto de Mecias foi considerado prejudicado e enviado ao arquivo.\n\n<strong>Fonte: Ag\u00eancia Senado<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/span>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Plen\u00e1rio do Senado aprovou, nesta ter\u00e7a-feira (24), a inclus\u00e3o da misoginia entre os crimes de preconceito ou discrimina\u00e7\u00e3o (PL 896\/2023). A pena para esse tipo de crime \u00e9 de dois a cinco anos de pris\u00e3o, al\u00e9m de multa. 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