{"id":9444,"date":"2020-06-01T18:49:03","date_gmt":"2020-06-01T21:49:03","guid":{"rendered":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2020\/06\/01\/mulheres-na-linhas-de-frente-da-covid-19\/"},"modified":"2026-04-01T11:44:51","modified_gmt":"2026-04-01T14:44:51","slug":"mulheres-na-linhas-de-frente-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/2020\/06\/01\/mulheres-na-linhas-de-frente-da-covid-19\/","title":{"rendered":"Mulheres na linha de frente da COVID-19"},"content":{"rendered":"<span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\"><span dir=\"auto\" style=\"vertical-align: inherit;\">\n<p>A luta contra o Coronav\u00edrus tem o\nrosto de mulheres. Isso porque aproximadamente 70% de profissionais da sa\u00fade\ns\u00e3o profissionais de enfermagem e elas comp\u00f5e quase 90% do setor no mundo. &nbsp;Sabendo disso, a Assufsm realizou na\nsexta-feira (29), a Live Sindical \u201cMulheres na linha de frente da COVID\u201d, com a\ninten\u00e7\u00e3o de dar destaque ao trabalho majoritariamente feminino na luta contra o\nCoronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>A transmiss\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/426892867334521\/videos\/250745302872212\/\">acesse\naqui<\/a>) contou com a participa\u00e7\u00e3o da enfermeira e servidora da Secretaria de\nSa\u00fade do Paran\u00e1, Let\u00edcia Faria e a mediadora foi a Jornalista da Assufsm,\nSt\u00e9phane Powaczuk. Durante a conversa, a enfermeira deu relatos sobre as\ninseguran\u00e7as e medos quanto a estar na linha de frente do combate a uma\npandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira abaixo trechos da entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(St\u00e9phane Powaczuk) &#8211; Voc\u00ea trabalha no pronto socorro com suspeitos e confirmados de COVID-19, como \u00e9 para uma mulher, profissional da sa\u00fade enfrentar esse desafio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, como foi mencionado na abertura, a categoria de\nenfermagem, ela \u00e9 majoritariamente feminina e \u00e9 a maior categoria de\nprofissionais de sa\u00fade, de modo geral. Somos diferentes mulheres, somos jovens,\ntemos mulheres mais velhas que se preocupam com os netos, temos mulheres jovens\nque s\u00e3o m\u00e3es e se preocupam com os filhos pequenos, mulheres que tem filhos um\npouco maiores&#8230; enfim tem toda essa diversidade, mas tamb\u00e9m tem algo em comum\nque \u00e9 o nosso ser mulher e a\u00ed a gente tem uma s\u00e9rie de desdobramentos com\nrela\u00e7\u00e3o a um aumento do trabalho, n\u00e9? A sobrecarga da linha de frente, a\nsobrecarga das tarefas dom\u00e9sticas, cuidados com alimenta\u00e7\u00e3o e higiene do\nambiente dom\u00e9stico, de n\u00f3s mesmas e com rela\u00e7\u00e3o aos filhos, para as mulheres\nque s\u00e3o m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(St\u00e9phane Powaczuk) &#8211; Muito importante tu tocar nesse assunto porque n\u00f3s sabemos que muitas dessas mulheres acabaram e v\u00e3o acabar contraindo o v\u00edrus. Eu queria saber se voc\u00ea tem como compartilhar conosco alguns relatos dessas mulheres que acabaram virando pacientes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o a profissionais de enfermagem, infelizmente o Brasil hoje \u00e9 o pa\u00eds que mais perdeu profissionais de enfermagem. E quando a gente fala em profissionais de enfermagem \u00e9 importante que a gente entenda que estamos falando de mulheres, n\u00e9? Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3es e os filhos pequenos, eu tenho uma colega de trabalho que tem um beb\u00ea de um ano e seis meses e ela n\u00e3o suportou emocional e psiquicamente estar ali sob a tens\u00e3o de contrair o v\u00edrus e poder levar para a casa e passar para a fam\u00edlia que acabou sendo realocada em outro setor de trabalho. Tamb\u00e9m tem um depoimento interessante de uma mulher jovem, m\u00e3e de um beb\u00ea pequeno, que chegou no pronto-socorro, com sinais de falta de ar, de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria que me relatou que tem filhos e que um dos filhos \u00e9 pequeno. Naquele momento eu tentei estabelecer uma conversa, trazer palavras de conforto porque tamb\u00e9m \u00e9 nossa fun\u00e7\u00e3o&#8230; mas eu confesso que fiquei emocionada, embargada e nesse sentido, que bom que os EPIs at\u00e9 escondem um pouco a nossa situa\u00e7\u00e3o de, \u00e0s vezes, emocionar e segurar as l\u00e1grimas junto aos pacientes. Foi uma situa\u00e7\u00e3o bastante dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(St\u00e9phane Powaczuk)<\/strong> <strong>&#8211; No momento em que voc\u00ea comentou sobre a situa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es a\u00ed e n\u00f3s sabemos que existem muitas profissionais acabam se afetando psicologicamente. Voc\u00eas possuem, em Curitiba, uma rede de apoio para os profissionais de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existe um servi\u00e7o de apoio psicol\u00f3gico, vinculado a medicina do trabalho, do Hospital do trabalhador, onde eu atuo. Mas existe um estigma muito grande, do profissional de sa\u00fade adoecer. N\u00f3s n\u00e3o nos permitimos, nesse momento, de linha de frente, muitas vezes assumir que n\u00f3s estamos numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade, que estamos numa posi\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o maior, de um medo, de uma tens\u00e3o permanente. Ent\u00e3o existe um servi\u00e7o que d\u00e1 essa possibilidade de acesso, mas existe uma resist\u00eancia muito grande tamb\u00e9m, das trabalhadoras de buscar o acesso a esses dispositivos. Eu acredito que isso deveria ser discutido mais abertamente&#8230; de que esse desgaste \u00e9 real e da gente se permitir tamb\u00e9m ser cuidada, n\u00e9? Uma enfermeira, mulher, \u00e9 aquela que cuida do outro. Mas que, muitas vezes, tem uma dificuldade em se ver colocada no papel de que \u00e9 aquela que precisa de cuidados. Acredito que campanhas nesse sentido, de conscientiza\u00e7\u00e3o das trabalhadoras e mesmo de solidariedade por parte das entidades sindicais e dos movimentos populares seriam bastante importantes.  <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cta.clst17.mxpr.email.pecoraricloud.com.br\/~assufsmcom\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mujerescovid.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9681\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p> <strong>(St\u00e9phane Powaczuk)<\/strong> <strong>&#8211;<\/strong> <strong>Como foi para ti receber a informa\u00e7\u00e3o que trabalharia na linha de frente ou foi uma escolha tua?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olha, n\u00e3o te digo que foi bem uma escolha, eu fui nomeada em meio a pandemia. Quando eu fui tomar posse, eu tinha duas possibilidades: ou Pronto Socorro do COVID-19 ou um trabalho mais administrativo. Eu tenho experi\u00eancia em UTI, tenho experi\u00eancia em Pronto Socorro, experi\u00eancia na Assist\u00eancia intra-hospitalar na beira do leito do paciente. Eu senti que era um desafio, muito medo. Chorei, achei que ia morrer logo na primeira semana, comecei a pensar em escrever cartas de despedida, mas achei que meu lugar era estar onde eu estou hoje. N\u00e3o conseguiria ficar bem, realizando um trabalho administrativo hoje, tendo experi\u00eancia de 8 anos de atendimento na beira do leito do paciente que \u00e9 onde eu gosto de estar. Eu convidei meus amigos para assistirem essa live, se algu\u00e9m tiver me vendo, eu gostaria de agradecer a voc\u00eas. Agradecer todo o apoio, todo o afeto. J\u00e1 s\u00e3o mais de 70 dias e tem um grupo especial de pessoas que n\u00e3o me abandona, que sempre me manda mensagem, que me escrevem cartas, que me mandam mimos e presentes em casa. Eu queria dizer para voc\u00eas que quando a gente joga com torcida, quando eu olho para cima, olho para tr\u00e1s e sei que o pensamento de voc\u00eas est\u00e1 comigo e toda essa energia, n\u00f3s atuamos melhor. Me sinto fortalecida, me sinto confiante, eu consigo atender melhor, enfim, de alguma forma eu sinto que n\u00e3o estou sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Let\u00edcia, eu gostaria que voc\u00ea deixasse uma mensagem para as pessoas que est\u00e3o nos acompanhando com rela\u00e7\u00e3o ao momento em que estamos e quanto a perspectiva da vida p\u00f3s COVID.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olha, n\u00f3s estamos passando por um momento muito cr\u00edtico da hist\u00f3ria recente do Brasil. Apesar de estar na linha de frente, eu poder estar aqui fazendo uma <em>live<\/em> \u00e9 uma forma de eu poder estar contribuindo com os movimentos sociais e o movimento sindical. A democracia, a liberdade, essa condi\u00e7\u00e3o de estarmos nos organizando est\u00e1 amea\u00e7ada. Existe uma amea\u00e7a de golpe ao regime democr\u00e1tico de direito no Brasil hoje. Vencer a pandemia, passa por vencer essa escalada autorit\u00e1ria. N\u00f3s falamos aqui sobre opress\u00f5es \u00e0s mulheres&#8230; eu n\u00e3o quero deixar de falar, da escalada brutal do racismo, aqui nas Am\u00e9ricas, nos dois pa\u00edses mais atingidos pela pandemia. A morte de Jo\u00e3o Pedro e George Floyd. N\u00e3o \u00e9 ocasional que aconte\u00e7a nos pa\u00edses em que temos os maiores n\u00fameros confirmados de COVID-19. Essa escalada autorit\u00e1ria, violenta, de medo, o descaso com a pandemia&#8230; s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel virada nesse cen\u00e1rio, com a organiza\u00e7\u00e3o da nossa classe. Defender a democracia nas ruas, se assim for preciso. Nesse sentido eu gostaria de saudar aqui, as torcidas organizadas do Gr\u00eamio e do Internacional, que nesse final de semana colocaram os fascistas para correr nas ruas, mantendo as medidas de isolamento social, higiene e controle. Manter aquilo que a ci\u00eancia afirma frente a pandemia, n\u00e3o nos exime de fazer a disputa da democracia nas ruas. Eu acho que essas lutas est\u00e3o combinadas. Vou refor\u00e7ar isso, apesar da press\u00e3o dos grupos econ\u00f4micos para que saiamos \u00e0s ruas e pela libera\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio&#8230; n\u00f3s temos hoje, comprovadamente eficaz para o controle da dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e no sentido de cuidado a nossa sa\u00fade s\u00e3o as medidas de higiene e isolamento social. Eu gostaria de trazer nesse final, uma mensagem de esperan\u00e7a. De que n\u00f3s estamos na linha de frente, tentamos a todo tempo salvar o maior n\u00famero de vidas poss\u00edveis, n\u00f3s lutamos a cada minuto e a cada momento para manter um direito elementar e fundamental, que \u00e9 tamb\u00e9m um direito constitucional e que todas essas lutas pela democracia e a luta contra a pandemia \u00e9 a luta pela vida. Nesse momento, eu convoco voc\u00eas para isso, para que n\u00f3s mantenhamos essa luta pela dignidade e pela vida.<\/p>\n<\/span><\/span><\/span><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta contra o Coronav\u00edrus tem o rosto de mulheres. 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