- Em nível nacional: a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, aponta que, entre 2012 e 2023, houve um aumento de 43% nos vínculos que não são estatutários nem celetistas (e incluem os temporários), passando de 22,3% para 25,7% do total.
- Nos estados: as Pesquisas de Informações Básicas do IBGE indicam que, também entre 2012 e 2023, o pessoal sem vínculo permanente cresceu 58,3%, de 14,5% para 23,2% do total de servidores.
- Nos municípios: aqui, onde estão concentrados a maioria dos vínculos públicos –, o aumento de servidores temporários, no mesmo período, foi de 62,8%, com a proporção subindo de 17,1% para 23,8%.
- Olhando especificamente para a educação: o Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que, entre 2011 e 2024, o número de docentes temporários cresceu 65,2% no país, passando de 28,6% para 41,9% do total de servidores. Nas redes estaduais, o aumento foi de 49,7%, de 31,7% para 49,1%, e na educação básica municipal — que concentra a maioria dos alunos — o crescimento foi de 76,6%, de 25,4% para 35,4%.
Lei Geral dos Temporários: a nova cara do funcionalismo público?

Está em discussão no Congresso Nacional proposta que pode transformar o modo como o Estado brasileiro contrata uma parte relevante de sua força de trabalho. O PL 3069/2025 propõe a criação da Lei Geral dos Temporários — marco de alcance nacional para organizar e dar mais segurança jurídica às contratações por tempo determinado no serviço público.
A proposta nasce de articulação entre especialistas em direito público, gestores e organizações da sociedade civil – entre eles, a Sociedade Brasileira de Direito Público (sbdp), o Movimento Pessoas à Frente, o Movimento Profissão Docente e o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad). Recentemente, ganhou impulso político com o apoio de parlamentares como Tabata Amaral (PSB-SP).
Mas, afinal, quem são os servidores temporários e por que eles importam? Qual o diagnóstico que a proposta pretende enfrentar? Que soluções estão sendo desenhadas e o que se espera alcançar com elas?
Quem são os servidores temporários e por que eles importam?
A contratação por tempo determinado é uma modalidade prevista na Constituição (art. 37, IX) e na legislação infraconstitucional de alguns entes federativos. Permite que governos contratem profissionais por prazo certo para atender a demandas excepcionais de interesse público.
Na prática, o modelo é utilizado em emergências sanitárias, na substituição de professores da rede pública, na realização de censos e pesquisas do IBGE, em ações de saúde voltadas a povos indígenas ou na implementação de políticas públicas específicas, como o atendimento especializado a pessoas com deficiência.
Esse tipo de vínculo tem crescido e os dados oficiais evidenciam essa tendência.